Chuva bate recorde de mortes em SP

Chuva bate recorde de mortes em SP

Em todo o Estado, 78 pessoas morreram por causa dos temporais deste verão; mais de 12 mil ficaram desabrigadas em 158 cidades

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

02 Abril 2010 | 00h00

O número de mortos na temporada de chuvas deste verão bateu o recorde histórico em São Paulo desde que os dados começaram a ser compilados pela Defesa Civil Estadual - no total, foram 78 mortes causadas por chuvas no Estado entre 1.º de dezembro de 2009 e 31 de março deste ano. O número é três vezes maior que o registrado na temporada passada (24 mortes) e 80% superior às 43 mortes de 1999/2000, marca agora superada.

Mais da metade das mortes (44) foi causada por deslizamentos - somente nos três primeiros meses deste ano, 24 morreram, metade do registrado em todo o ano de 1996, quando o número de vítimas de deslizamentos bateu recorde (48). O número de mortos nesta temporada na capital chegou a 18, quase cinco vezes maior do que o registrado no ano passado. O balanço da Defesa Civil de São Paulo, divulgado ontem, marcou o fim da Operação Verão 2009/2010.

Além dos mortos em deslizamentos, outras 21 pessoas morreram arrastadas por enchentes e 9, atingidas por raios. As chuvas deixaram também 59 feridos em todo o Estado, ante 43 na temporada passada. Um homem continua desaparecido.

Emergência. As chuvas que arrasaram parcialmente cidades inteiras - como a histórica São Luís do Paraitinga, em janeiro - levaram 59 municípios do Estado a decretar situação de emergência. Outras 11 cidades declararam estado de calamidade pública. No ano passado, apenas 13 municípios decretaram situação de emergência e nenhum declarou calamidade.

O número de desabrigados neste verão chegou a 12.051 pessoas em 158 cidades do Estado - 715 continuam sem moradia até hoje. No ano passado, o número total de desabrigados não passou de 2.011, nenhum na capital.

Para a Defesa Civil Estadual, o alto número de perdas é resultado dos índices elevados de precipitação da temporada - é o maior volume de chuvas dos últimos 15 anos, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, com o mês de janeiro mais chuvoso desde 1947, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). "Se chovesse assim todo ano, a média de mortes ficaria no patamar registrado agora, bastante acima do que normalmente acontece", avaliou o coronel Luiz Massao Kita, coordenador da Defesa Civil de São Paulo. "No Vale do Ribeira, foi a maior chuva dos últimos 70 anos. Onde a água não passava do batente da porta, agora chegou ao telhado. Estamos vivendo um período de mudanças climáticas em todo o mundo. Temos de aprender a nos adaptar e a planejar para que isso não volte a ocorrer."

Repensar. O número elevado de mortes causadas por deslizamentos que atingiram casas localizadas em áreas de risco levou o órgão a repensar o planejamento da Operação Verão do ano que vem. "Vamos focar em levantamento, remoção e monitoramento de ocupações nas áreas de risco, para prevenir que o alto número de mortes volte a ocorrer na próxima temporada", disse o coronel Kita. "Vamos começar já no mês que vem. Temos que mostrar às prefeituras que as áreas de risco são sua responsabilidade. As cidades são repletas de casas em áreas de risco e as prefeituras não parecem se preocupar com isso."

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