Chefs investem em comida para cães

Degustações, pratos congelados e até bolos estão entre as novidades gourmet para cachorro

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2011 | 03h02

De cordeiro com grão de bico e hortelã a caçarola de carne ou risoto vegetariano. Passando por panetones, sorvetes e sanduíches. Tudo feito especialmente para cachorros, com a assinatura de chefs de cozinha. É um mercado que cresce cada vez mais em São Paulo, onde já acontecem até degustações para cães.

Um desses encontros ocorrerá no sábado na Livraria Gourmet, que fica em uma vila descolada, com jeitão francês, na Rua Augusta, nos Jardins, zona sul da cidade.

Na frente da loja, será estendido um tapete de PVC com estampa de ossinhos coloridos. E lá a cachorrada poderá provar o "cãoduíche" - um lanche recheado com fígado de galinha.

Quem organiza o evento é a chef baiana Ana Ferraz, de 48 anos. "Essa receita é um sucesso", diz ela, que se diverte inventando pratos para seu Jimmy, um bernese de 3 anos, que pesa 50 quilos. "O cachorro tem um olfato muito apurado. É só colocar os ingredientes para cozinhar na panela que o Jimmy enlouquece."

Dieta. Ana foi uma das chefes convidadas para testar as 30 receitas do livro Cão Gourmet: Receitas caseiras e saudáveis para seu cão (Editora Cook Lovers, 88 páginas, R$ 64,90), assinado por Myrian Abicair, dona do Spa Sete Voltas, em Itatiba, no interior paulista. Lá, ela recebe pessoas e cães que precisam passar por dieta.

"Das 30 receitas que desenvolvi para o livro, a de maior sucesso é a almôndega", revela Myrian. "Ela é servida com arroz integral com pouco sal."

Congelados. Em janeiro, chega às lojas especializadas em cães a La Pet Cuisine, comida gourmet canina. A marca é resultado das invenções de Veridiana Noda Bechara, de 33 anos, subchefe da badalada Bel Coelho, do restaurante Dui, nos Jardins.

"São pratos congelados, servidos em uma vasilha de PVC e com uma apresentação tão caprichada quanto a de um prato que vai à mesa", garante Veridiana.

Até agora, o cardápio terá quatro receitas, cada uma para um tipo de cão. "O cordeiro de grão de bico é para os animais alérgicos a carne vermelha." Tem um à base de soja. Segundo ela, quando o dono do cão não come carne o animal também costuma passar pela mesma dieta.

"Compartilhar o que se gosta de comer com o cachorro é uma forma de agradar o animal", diz o veterinário Angelo Carotta, de 42 anos. Mas não é recomendável, segundo ele.

"É comum às segundas-feiras, por exemplo, receber no consultório casos de distúrbios gastrointestinais decorrentes da ingestão de pizza, bolo e carne de churrasco no fim de semana."

Por isso, Carotta desenvolveu uma linha de guloseimas para cachorros, com cara de comida de gente, mas fabricada sem ingredientes ofensivos à saúde.

Panetone. Hoje ele é dono da Panetteria di Canni, marca que ficou conhecida no mercado por causa dos panetones.

Para este Natal, foram produzidas 250 mil unidades de panetone, em dois sabores: passas e flocos de carne (R$ 6,80, o de 80 gramas).

Mas os chefs alertam que pratos gourmets não substituem a ração. "Eles funcionam como uma espécie de mimo para o pet", diz Veridiana. "O cão fica feliz e o dono também."

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