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CET propõe ampliar rodízio de veículos em mais 371 quilômetros

Caio do Valle - O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2014 | 10h 54

Pelo estudo, que será discutido no dia 15, restrição passaria a valer em grandes avenidas como Brás Leme, Radial Leste e Francisco Morato; medida deve começar até abril

Atualizado às 15h05.

SÃO PAULO - Um estudo divulgado na manhã desta quinta-feira, 9, pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) propõe aumentar o rodízio municipal de veículos para mais 400 vias - ou 371 quilômetros lineares - de São Paulo, incluindo áreas periféricas. A restrição passaria a valer em grandes avenidas como Brás Leme, Radial Leste, Aricanduva, Professor Francisco Morato e Inajar de Souza. São eixos que estão fora dos 150 km² do centro expandido, área onde o rodízio vigora desde 1997. O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que a medida pode começar a vigorar "em março ou abril". Veja a relação preliminar de 380 vias que deverão receber o rodízio.

A proposta, no entanto, ainda será levada no próximo dia 15 ao Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), "para ser discutida com a sociedade e especialistas", segundo a CET, que poderão fazer recomendações ao projeto. O conselho é presidido pelo próprio Tatto.

Se a solução for adotada, poderá fazer com que a velocidade média no pico da manhã melhore 8,5%, subindo dos atuais 18,9 km/h para 20,5 km/h. No caso das vias arteriais, o aumento seria de 15 km/h para 16,8 km/h, ou seja, de 12%.

Originalmente, em um estudo apresentado em maio do ano passado, a CET planejava ampliar o rodízio para mais 240 km lineares de vias, em vez de 371 km. A diferença em relação ao novo patamar se explica pela inclusão de toda a extensão das novas vias - e não apenas uma parte, como havia sido previsto anteriormente no projeto, refeito a pedido do prefeito Fernando Haddad (PT).

Desta forma, grandes eixos que rumam até pontos mais periféricos da cidade, como a Radial Leste, serão contemplados em sua totalidade. A restrição abrangerá principalmente as chamadas vias arteriais, que, "no geral, possibilitam macro deslocamentos ao fazerem ligações entre bairros", conforme a Secretaria Municipal dos Transportes. Dos 371 km propostos, 98% devem ser implantados nelas. Os demais 2% estarão em vias com outras classificações.

"O prazo de implantação é longo, não podemos implantar de uma hora para outra. Vamos ter que definir uma data para o motorista já ficar sabendo o dia em que começa e os locais", disse Tatto. "Por exemplo, se começa o rodízio dia 2 de abril (a data é hipotética, afirmou o dirigente), o motorista já pode se comportar desta maneira, mesmo não tendo a fiscalização, porque você não precisa partir do princípio de que tem que ter fiscalização para ele deixar o carro em casa."

A CET indicou que o rodízio continuará seguindo os mesmos critérios atuais, ou seja, valerá para duas placas por dia de segunda a sexta-feira nos dois horários de pico do dia, entre 7h e 10h e 17h e 20h. Foram feitos estudos aventando a possibilidade de aumentar o número de placas restritas ou ampliar a restrição para a cidade inteira, mas o índice de eficiência do levantamento (que mede a velocidade e o conforto do usuário de carro) mostrou que a melhor opção é somente a expansão para as 400 vias, de modo linear, seguindo os mesmos horários e a quantidade de placas restritos hoje em dia.

Para que a ampliação do rodízio de veículos possa começar a valer, o prefeito precisa publicar um decreto no Diário Oficial da Cidade.

Veja onde o rodízio já vigora:

A mudança de comportamento esperada com a ampliação do rodízio, conforme Tatto, é que os motoristas só usem o carro "em extrema necessidade". O objetivo é que mais pessoas utilizem o transporte público para se locomover por São Paulo e também que, se possível, evitem sair nos horários de pico.

Fiscalização. O secretário disse que não há prazo para o início da fiscalização, mas declarou que "tudo indica que no primeiro semestre" comece a ser realizada a aplicação de multas nas novas vias com a restrição. Um processo licitatório para a instalação de mais de 800 novos radares já está em andamento. São esses os equipamentos que farão a fiscalização nos pontos mais periféricos da cidade, onde a presença de aparelhos atualmente é escassa.

De acordo com Tadeu Leite Duarte, diretor de Planejamento da CET, os veículos que só precisam cruzar as avenidas que receberão o rodízio não serão multados. "O motorista pode fazer um pequeno percurso por um trecho da via com rodízio, sem atrapalhar. Se ele passou por um equipamento (radar) que mostrou que ele entrou ali, mas não passou pelo radar seguinte, tudo bem, ele só cruzou a avenida."

Além dos radares, a CET precisará instalar placas e alterar a sinalização do solo das vias para indicar para os motoristas onde começa e onde termina o rodízio nas 400 vias que devem passar a contar com a restrição. Para isso, foi criado inclusive um símbolo, representado pela letra R, indicando no asfalto os pontos exatos de começo e fim da restrição nas vias.

Segundo Vicente Petrocelli, gerente de Planejamento, Logística e Estudos de Tráfego da CET, o símbolo foi inspirado na letra C do programa "congestion charge" (pedágio urbano) existente em Londres, na Inglaterra.