''Centro é até 8°C mais quente que a zona sul''

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 00h00

Gilvam Sampaio, Climatologista e pesquisador do Inpe

O controle da poluição, da umidade e do calor depende da preservação da cobertura vegetal da cidade, segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilvam Sampaio. As árvores ajudam, ainda, a evitar enchentes.

Qual o papel das árvores na regulação do clima da cidade de São Paulo?

Além do efeito estufa urbano, provocado pela poluição dos automóveis e das indústrias, a retirada de cobertura superficial, com a consequente pavimentação do solo, aumenta a absorção de radiação solar, o que se traduz em aquecimento. Quando você coloca mais vegetação, minimiza os efeitos de ilha de calor. A vegetação tem dois papéis fundamentais do ponto de vista climático. Ela faz o sequestro de carbono e devolve oxigênio para a atmosfera. O outro papel é bombear água do solo para a atmosfera, o que ajuda a melhorar a umidade, com produção de nuvens e chuva. Com isso, a temperatura diminui e o conforto térmico aumenta.

A temperatura da região central de São Paulo é diferente das demais regiões da cidade?

Medições de satélite mostram que a temperatura no centro de São Paulo chega a ser até 8°C maior em relação à zona sul, que é a mais arborizada da cidade. Isso mostra o forte impacto da retirada da cobertura vegetal. Ao longo dos anos, a diminuição dessa cobertura modificou o clima da região. Mudou o padrão de ventos, a circulação atmosférica e os regimes de chuva. Se tivesse mais vegetação na região central, as temperaturas seriam mais amenas.

As árvores também contribuem para evitar enchentes?

Em áreas descampadas, a copa das árvores amortece as gotas de chuva, que com isso chegam à superfície com menor velocidade. Assim, há mais infiltração e menos escoamento superficial, o que contribui para evitar as enchentes e a degradação do solo. Além disso, ela impede que o vento fique muito forte quando está mais próximo da superfície.

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