Censo indica que 11% das árvores do Ibirapuera correm alto risco de queda

Pesquisadores da USP consideram resultado 'preocupante'; para administrador, parque é seguro e estudo ajuda a escolher prioridades

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2010 | 00h00

Na primeira curva da pista de cooper do Parque do Ibirapuera, um eucalipto inclinado de 29 metros de altura oferece mais do que sombra aos corredores: oferece perigo. Infestado de cupins, com a copa pendendo para um lado, essa é a árvore com maior risco de queda no parque, segundo levantamento inédito realizado pela Escola Superior de Agricultura (Esalq) da USP. O problema atinge 11% das 15.026 árvores do Ibirapuera.

O estudo, feito entre 2008 e 2009, é resultado do primeiro censo arbóreo do Ibirapuera, elaborado a pedido da Prefeitura. As descobertas foram classificadas como "preocupantes" pelos pesquisadores, sobretudo em relação ao número de árvores em situação precária (1.633). As árvores avariadas são mais vulneráveis a ataques de fungos e cupins e mais suscetíveis aos ventos e chuvas fortes.

A localização dos exemplares danificados ou com inclinação superior a 30º também preocupa. São pontos movimentados do parque, que recebe até 130 mil visitantes diariamente.

A pior área é o bolsão de eucaliptos próximo ao Portão 9, onde há 201 árvores com alto risco de queda, ou 29,7% do total. Nesse local, existem árvores de até 30 metros de altura inclinadas nos dois sentidos, em direção à pista de caminhada, ou voltadas para a Avenida República do Líbano. No verão deste ano, 57 árvores caíram no parque.

"Não quer dizer que todas as árvores vão cair na próxima chuva, nem que não aguentam ventania. Indica que precisam de tratamento ou, em muitos casos, substituição", disse o pesquisador Demóstenes Ferreira da Silva, da Esalq, coordenador do censo. "Era esperado que houvesse árvores em má situação, mas assustou o número tão alto."

No censo, foram apontadas cerca de 300 árvores que necessitariam de remoção imediata. Até agora, porém, isso não foi feito - no ano passado, cerca de 70 árvores foram retiradas. Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a supressão é feita de acordo com a gravidade e "potencial de risco emergencial" das árvores indicadas.

Outro ponto com alto índice de árvores avariadas é o playground, onde 64 exemplares apresentam alto risco de queda (20% do total, o dobro do índice geral do parque). Também há infestação de cupins em cerca de 10% das árvores do local.

Ruas. As vias próximas ao parque também correm risco pelo mau estado das plantas - há cerca de 300 árvores com alta chance de queda na periferia do Ibirapuera, a maior parte nos dois quilômetros ao longo da Avenida República do Líbano. São árvores com extensão de dano de até 50 metros. "Chega um momento em que a vida útil da árvore termina e ela tem de ser substituída, mesmo num parque tombado", disse Silva.

Entre os equipamentos culturais do Ibirapuera, a situação do Museu Afro Brasil é a que mais preocupa: o edifício está rodeado por 72 exemplares avariados, de altura média de 20 metros. Outros edifícios, como o do Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o da Bienal, também estão próximos a árvores consideradas de alto risco.

Segurança. Segundo a administração do parque, a situação das árvores não é "emergencial" e o censo permite eleger prioridades. "A ferramenta serve para saber onde focar antes que problemas ocorram, mas vamos fazendo dentro de nossas capacidades", disse o administrador do Ibirapuera, Heraldo Guiaro. "Não significa que o parque seja inseguro. Pelo contrário: agora sabemos onde atuar."

Guiaro afirma que já tomou providências em relação ao Portão 9, um dos pontos críticos, onde 18 árvores já foram substituídas. No playground, diz ele, não há risco iminente de queda, embora haja árvores danificadas.

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