Caso lembra época mais violenta vivida na Grande São Paulo

Análise: Bruno Paes Manso

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2012 | 03h05

Em 1998, 1999 e 2000, os três anos mais violentos da história de São Paulo, chamava a atenção a indiferença dos assassinos. Era como se eles não ligassem para os riscos de serem punidos, tamanha a falta de controle das instituições. As chacinas - crime em que morrem mais de duas pessoas em um mesmo evento - apareciam como resultado mais dramático dessa imensa sensação de impunidade. Foram mais de 90 casos nesses três anos na Região Metropolitana nessa época. Muitos dos que morreram estavam perto de pessoas juradas de morte.

As oito mortes em Osasco em menos de três horas são episódios típicos do período em que São Paulo parecia ser incapaz de reagir à epidemia de assassinatos que atingia o Estado. São sintomas de tempos ruins, da volta de uma instabilidade que apavorava a população de bairros das periferias nos anos 1990. E parecia ter arrefecido nesta década.

Osasco, assim como todo o Estado, testemunhou uma queda drástica no número de homicídios ao longo do ano 2000. Em 2002, a situação ainda era dramática e a cidade teve 54 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2010, havia chegado a 9 casos por 100 mil. No ano passado, voltou a registrar um leve crescimento e teve 11 casos por 100 mil habitantes.

Nos cinco primeiros meses deste ano, a situação estava mais calma. Foram 24 casos, enquanto o mesmo período do ano anterior havia registrado 33 homicídios.

Os oito assassinatos ocorridos na noite de ontem revelam uma ação atípica. Os seis homens que passaram disparando faziam parte de um grupo que, aparentemente, quis passar algum tipo de mensagem por meio do terror e acredita que se manterá impune.

Para abalar a sensação de impunidade, é importante que os autores sejam descobertos e punidos.

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