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Caso é recorrente, diz integrante de movimento negro

Guilherme Soares Dias, Especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2014 | 02h 07

A prisão por engano do ator Vinícius Romão de Souza é vista como recorrente por membros do movimento negro e advogado criminalista ouvido pelo Estado. A repercussão do caso, segundo eles, contribuiu para que o ator não ficasse mais tempo preso.

Para a colaboradora do Núcleo de Consciência Negra da Universidade de São Paulo (USP) Maria José Menezes, a prisão de Vinícius não foi por engano. "Negro sempre é vilão até provar que não", afirma, citando trecho de música. Para Maria José, o caso não é fato isolado. "É uma política do Estado. O policial tem visão que negros e/ou periféricos são suspeitos ou culpados por algo. Isso é cotidiano e naturalizado pela sociedade", considera.

Ela lembra que o caso ganhou repercussão pelo fato de Vinícius ser ator. "Houve uma comoção, por causa de sua posição. Isso foi diferencial. Se fosse trabalhador comum, ficaria mais tempo preso por causa de falta de acesso à Justiça", afirma. Já o advogado criminal Fernando Castelo Branco, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), lembra que o reconhecimento pessoal é uma das formas de caracterização e comprovação do crime e defende rigor no procedimento. "É um elemento de prova, mas a lei exige cautela para reconhecimento. Uma delas é ser colocado com outras pessoas semelhantes. Não pode prender uma pessoa dessa maneira."

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