Caso Bruno: goleiro nega relação gay

O goleiro Bruno admitiu ontem a advogados que escreveu a carta na qual diz a Luiz Henrique Romão, o Macarrão, para "usar o plano B". Mas teria sido "mal interpretado" - o plano B seria encerrar a relação de amizade entre os dois e não pedir a Macarrão que assumisse a autoria da morte de Eliza Samudio.

ALINE RESKALLA , ESPECIAL PARA O ESTADO , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2012 | 03h02

O advogado Francisco Sinim disse que Bruno negou ter relação amorosa com Macarrão, como chegou a dizer o outro advogado do atleta, Rui Pimenta, ao Estado. "Ele se baseou na tatuagem de Macarrão. Bruno deixou claro que a carta queria pôr fim à amizade dos dois", afirmou Sinim. A tatuagem diz: "Bruno e Maka. A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro".

Ontem à noite, porém, Pimenta voltou atrás e disse ao Estado que, após conversar com o goleiro, "ficou claro que essa história de homossexualismo não existiu". "Eu nunca tinha conversado com o Bruno sobre o assunto. Deduzi isso por causa da reportagem da Veja (que publicou a carta) que fala sobre o vídeo em que Eliza teria com Bruno e Macarrão participado de orgia. Mas ele disse hoje (ontem) que não tem isso", afirmou.

Na carta, Bruno diz ao amigo que, após conversar com advogados, eles chegaram à conclusão de que "a melhor forma para resolvermos isso é usando o plano B". O plano A seria negar o crime; o B, Macarrão assumi-lo.

A Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas informou, em nota, que "nos registros de correspondências enviadas e recebidas por detentos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Nova Contagem, não consta carta escrita por Bruno Fernandes de Souza ao preso Luiz Henrique Ferreira Romão, publicada pela Veja". A nota diz também que "em oitiva nesta segunda-feira (ontem), o próprio Bruno disse ter entregue a carta a outro detento", para ela chegar a Macarrão. A Secretaria diz que vai continuar apurando como a carta saiu da unidade.

Bruno, o primo dele Sérgio Rosa Sales e Macarrão foram pronunciados por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver e aguardam a data do julgamento. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é acusado de ter executado Eliza - para a polícia, mesmo sem o corpo, não há dúvidas de que a modelo foi assassinada.

A defesa já mudou de versões várias vezes. Primeiro, negaram que Eliza estivesse morta. Depois, admitiram que isso era fato. Recentemente, ganhou força na defesa a estratégia de culpar Macarrão pelo crime, que teria sido cometido "por amor". Anteontem, Pimenta disse que "esse era um caso claro de amor".

Processo. Em junho, o goleiro recebeu da Justiça direito à liberdade condicional no processo em que foi condenado, no Rio, por sequestro e agressão de Eliza. Mas não foi solto por causa do mandado de prisão relativo à morte da modelo. Sua situação se complicou após o Ministério Público Federal enviar parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual afirma que o atleta é perigoso e pode influenciar os outros suspeitos.

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