Casa da rainha Maria I, a Louca, vira alvo de briga

Convento do Carmo é disputado na Justiça

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2011 | 03h04

Uma das primeiras construções coloniais do Rio, o Convento do Carmo está no centro de disputa judicial entre o governo fluminense e a Universidade Cândido Mendes. O local está fechado ao público desde agosto, sem previsão de reabertura.

Antiga sede da ordem dos carmelitas e casa da rainha d. Maria I, a Louca, o monumento de três andares foi reintegrado ao Estado por liminar da Justiça. Mas o processo ainda tramita em primeira instância e a instituição de ensino, que cuidava do prédio desde 1902, quer retomá-lo.

A construção do convento acabou em 1618. Carmelitas foram expulsos quando a família real chegou ao Rio, em 1808, e o imóvel virou residência da rainha - ela permaneceu lá até sua morte, em 1816. "A atual Praça XV testemunhou passeios da rainha completamente nua. Ela saía correndo e só era detida quando alguém da família real aparecia, já que escravos não podiam encostar nela", conta João Baptista Ferreira de Mello, da Universidade do Estado do Rio (Uerj).

Junto ao Paço Imperial, o chafariz de Mestre Valentim, as Igrejas de Nossa Senhora do Monte do Carmo e da Ordem Terceira do Carmo e o que restou do Arco dos Teles, o Convento do Carmo integra um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos da história do Brasil - apesar de ter sido descaracterizado ao longo do século passado.

Os prédios delimitam a atual Praça XV, um dos locais mais movimentados do centro do Rio. Em parte do período colonial e ao longo do Império, a região foi sede administrativa e política do País. "A praça tinha Justiça, poder real, administração pública e a Ordem do Carmo. O largo foi o segundo local da cidade a ter chafariz, nos anos de 1740. E ganhou destaque também por ficar ao lado do porto, da alfândega e de grandes comerciantes na Rua Direita (atual Avenida 1.º de Março)", diz Nireu Cavalcanti, da Universidade Federal Fluminense.

No século 19, o convento perdeu edificação. Após a proclamação da República, em 1889, passou a abrigar repartições, até ser cedido à Sociedade Brasileira de Instrução, atual mantenedora da Universidade Cândido Mendes.

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