Carta, uma ponte para o passado

Escrever cartas foi, durante muito tempo, a mais competente maneira de comunicação entre pessoas distantes, de cidades isoladas, como foi a São Paulo dos jesuítas até o Império. O tempo das notícias podia ser medido em dias e meses. Hoje, a leitura dessas cartas nos leva a documentos fundamentais para a compreensão do passado. Vide a correspondência de Anchieta, escritos que se transformaram em relíquias históricas e permitem que se saiba como era a vida no princípio.

, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

 

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Hoje não é mais assim. Tudo é muito rápido. Mas, como repete um amigo, tudo tem um lado bom e um lado ruim, exceto os discos de um cantor que ele odeia - nos quais, diz ele, os dois lados são muito ruins.

Não sei como será no futuro, já que não se põe mais a vida no papel como antigamente. Certamente a internet vai encontrar um substituto à altura das cartas, talvez esse herdeiro seja o e-mail - ou "pen drive" -, que facilitará a consulta aos registros do atual modo de vida.

Foi a partir do silencioso exercício de um notório escrevedor de cartas, por exemplo, que a posteridade ficou sabendo que Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos EUA (1801-1809) tinha forte interesse por assuntos da colônia portuguesa americana.

Em conversas reservadas, em 1787, em Paris, com o brasileiro José Joaquim de Maia, que buscava apoio norte-americano, Jefferson tratou de temas que ainda levariam um século para serem realidade no Brasil: libertação dos escravos e República.

Em carta, Jefferson contou ao compatriota John Jay, que servia na França, o encontro com o militante brasileiro. Esse documento pode ser lido nos maravilhosos arquivos da Biblioteca do Congresso dos EUA. E uma tradução de trecho dele, para o português, é parte de livro do escritor Carlos Figueiredo, Discursos Históricos Brasileiros, editado recentemente pela Leitura.

A diplomacia e o papagaio mudo

Em cartas antigas encontra-se a alta política, mas também reveladores detalhes prosaicos. Como aquela do inglês Charles H. Allen a Joaquim Nabuco , em março de 1899, dando conta da morte de papagaio verde após uma convivência de dez anos em Londres. A ave fora presente de Nabuco ao colega inglês, militante da causa da abolição.

Antonio Penalves Rocha, em seu Abolicionistas Brasileiros e Ingleses (Unesp), lembra que "Papagai" era diferente: era mudo. "...Papagai partiu sem contar o segredo de seu mutismo", escreve Allen a Nabuco. E completa: "Fiz uma descrição dele, que foi publicada no Spectator."

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