Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Cão adotado pela PM vira Cabo Pitoco

Vira-lata tem 20 mil seguidores no Facebook

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

19 Julho 2015 | 03h00

Ele vive em São Paulo, odeia bicicletas e adora policiais militares. Tanto que, recentemente, acrescentaram ao seu nome a patente de cabo. Cabo Pitoco, um cachorrinho de cerca de 30 centímetros de altura, pelos bege e morador de um posto de gasolina em Pirituba, na zona norte da capital.

Cabo Pitoco tem causado alvoroço nas redes sociais desde que um vídeo foi publicado em páginas de admiradores da PM, há cerca de três meses. Nele, o cão festeja a chegada de uma viatura no posto de gasolina, com o rabo balançando freneticamente e as patas levantadas.

As imagens repercutiram tanto que Cabo Pitoco ganhou em maio uma página própria no Facebook, cujas publicações são replicadas em outras fanpages, em meio a imagens de suspeitos algemados, relatos de mortes em confrontos e comentários que enaltecem ações policiais.

Desde então, mais de 20 mil pessoas passaram a seguir o Cabo Pitoco, que também aparece em montagens com colete, boina e armas da PM. Em diversos comentários, perguntam como está o cachorrinho, enviam fotos de outros animais de estimação (os “aumigos”) e se oferecem para doações de roupa e comida. Apenas na última semana foram 2.143.364 acessos.

Cabo Pitoco usa sempre uma coleira de couro e pingente em formato de osso, com o nome gravado. Faz o tipo simpático, de quem se entrega fácil a um carinho. Exceto em duas situações: quando alguém tenta tirá-lo de dentro de uma viatura, ele reage latindo e rangendo os dentes; e quando passa uma bicicleta. “Ele corre atrás feito um louco”, diz o frentista Adam Barbosa, de 23 anos.

O posto de combustível onde Cabo Pitoco mora - ele chegou ainda filhote, há cerca de dois anos - abastece todas as viaturas da 2.ª Companhia do 18.º Batalhão de Polícia Militar (BPM). O batalhão da PM, que na década passada ganhou os noticiários por causa de um grupo de extermínio, hoje organiza eventos de doação (a “ração do coração”) para alimentar cachorros de rua. Em apenas dois encontros, mais de 300 quilos foram arrecadados.

Mascote. Com 114 mil seguidores, o sargento Francisco Alexandre Filho, de 45 anos, do 18.º BPM, é o criador da página do Cabo Pitoco no Facebook. Foi dele a ideia de atribuir ao cão a patente militar. “Ele já estava velhinho para ser soldado”, diz.

O sargento Alexandre, nome de guerra levado para as redes sociais, conheceu Pitoco na época em que fazia patrulhamento e precisava parar para abastecer a viatura. Afeito a animais, ele tem uma cocker spaniel tatuada no braço esquerdo, junto com a frase “amor eterno”.

Segundo conta, os policiais aproveitavam para lanchar na loja de conveniência do posto e sempre ofereciam salgados ao cachorro. Com o tempo, Pitoco foi reconhecendo os veículos e passando a acompanhá-los quando iam embora. “Várias vezes precisamos colocá-lo na viatura e voltar ao posto para devolvê-lo.”

Para dar conta das postagens, o PM tem hoje a ajuda de outras 14 pessoas. “O Cabo Pitoco se tornou não só o mascote dos policiais, mas também da comunidade.”

Mais conteúdo sobre:
Cabo Pitoco PM

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.