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Canonização de José de Anchieta é adiada para quinta-feira

Informação foi dada pela Rádio Vaticano, veículo oficial da Santa Sé

José Maria Mayrink , O Estado de S. Paulo

02 Abril 2014 | 10h09

Atualizada às 20h30

SÃO PAULO - Os sinos repicaram nas igrejas e o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, manteve o canto do Te Deum na Catedral da Sé e no Pátio do Colégio, na região central da capital, em ação de graças pela canonização de José de Anchieta, apesar de o papa Francisco ter adiado de ontem para hoje a assinatura do decreto que declara santo o Apóstolo do Brasil.

D. Odilo disse que só soube do adiamento às 6h30 desta quarta-feira, 1. Ele atribuiu a decisão do Vaticano a problemas de agenda do papa. O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Aparecida, d. Raymundo Damasceno Assis, distribuiu um comunicado, sem explicações, sobre o adiamento.

Segundo a CNBB, o decreto de canonização será assinado nesta quinta-feira, 3, "por volta do meio-dia", horário de Roma – às 7 horas no Brasil. No Vaticano, a informação era de que Francisco assinará o decreto às 11 horas, em audiência com o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato. Corria também uma versão de que a assinatura do documento seria às 9 horas.

A data da canonização estava imprecisa desde quando se anunciou a medida, tendo sido informado oficialmente apenas que ela se realizaria, sem cerimônia solene, nos primeiros dias de abril.

Fonte do Vaticano confidenciou ontem ao Estado que foi sugerido a Francisco que ele assinasse o decreto na terça-feira (anteontem), mas ele alegou que não seria uma boa data, porque 1.º de abril é o Dia da Mentira.

Praça da Sé. Quando o carrilhão da catedral repicou, durante cinco minutos, às 14 horas desta quarta-feira, seis moradores de rua permaneceram impassíveis, deitados ou sentados no pedestal da estátua de José de Anchieta, na Praça da Sé. O paranaense Plínio Gomes, de 52 anos, não sabia que se tratava de uma homenagem a um dos fundadores de São Paulo. "Só sei que Anchieta fica perto de São Bernardo", disse o paranaense, olhando para a estátua do jesuíta.

D. Odilo, que falou aos jornalistas ao lado de dois padres jesuítas, o superior provincial Mieczyslaw Smyda e o reitor da igreja do Pátio do Colégio, Carlos Alberto Contieri, disse que, para Anchieta ser considerado santo, o mais importante é seu exemplo de vida – e não a assinatura do decreto.

O cardeal lembrou a atuação do novo santo como evangelizador dos índios e como professor do primeiro colégio, o de São Paulo, fundado pela Companhia de Jesus na América Latina. A canonização por decreto dispensa a exigência de comprovação de milagre.

D. Odilo também presidiu nesta quarta-feira à noite uma homenagem a Anchieta na Catedral da Sé. No domingo, às 11h, ele celebrará uma missa solene na catedral, também como homenagem a São José de Anchieta. Uma hora antes, às 10h, será iniciada uma procissão até a catedral, saindo do Pátio do Colégio. / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

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