Caminhão no Morumbi: multa começa amanhã

Fiscalização terá início nas dez vias restritas, com autuação de R$ 85,12; ontem, 50 veículos passavam a cada meia hora pela Giovanni Gronchi

Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2010 | 00h00

David Campos, de 35 anos, e Aparecido Fontana, de 70, conversavam ontem na esquina da Avenida Giovanni Gronchi com a Rua Nelson Gama de Oliveira, no Morumbi, na zona sul, sobre rotas alternativas. O primeiro trabalha em uma transportadora. O segundo é dono de uma empresa de cargas. Eles pensavam em como farão as entregas, já que a Prefeitura começa a multar amanhã caminhoneiros que passarem em dez vias do bairro.

As ruas e avenidas (veja ao lado) passaram a ser consideradas Vias Estruturais Restritas (VER) pela Prefeitura depois que caminhoneiros começaram a usá-las como alternativa à Marginal do Pinheiros e às Avenidas Bandeirantes, Roberto Marinho e Visconde Afonso D"Escragnole Taunay, que tiveram a circulação de caminhões proibida em agosto entre 5h e 21h.

Em setembro, depois da pressão de moradores, a Secretaria Municipal de Transportes anunciou a restrição no Morumbi. Faixas e 1.200 placas avisam os caminhoneiros sobre a restrição, válida de segunda a sexta-feira, no mesmo horário da proibição na Marginal, e, aos sábados, das 10h às 14h - exceto nos feriados. A multa por descumprir a regra é de R$ 85,12 e o motorista receberá quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

"Vou fechar a transportadora", disse Fontana. "Não tenho mais lucro", alega. A proibição começou em caráter educativo no dia 27. A partir de amanhã, agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) e oito radares fixos e barreiras eletrônicas com sistema de Leitura Automática de Placas (LAP) fiscalizarão os caminhoneiros.

Apesar dos avisos, a reportagem contou ontem, das 13h30 às 14h, 50 caminhões no cruzamento da Giovanni com a Nelson Gama. Segundo o comerciante Celso Fiszbein, de 52 anos, a quantidade de veículos de carga diminuiu desde o anúncio da restrições. "Tem de proibir mesmo."

Apesar de ser caminhoneiro, Fábio da Silva é a favor das novas regras. "Aqui não comporta caminhão", disse. Já o gerente Campos está preocupado. "Não sei o que fazer", afirmou. Segundo ele, com as novas regras a transportadora diminuiu as entregas na capital e passou a fazê-las no litoral, Grande São Paulo, interior e outros Estados.

Morador do bairro, o publicitário Conrado Galante, de 26 anos, aprovou as medidas. "Os caminhões têm de sair para o trânsito não piorar mais."

 

 

 

 

 

 

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