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Câmara Municipal de São Paulo aprova fim do rodízio municipal de veículos

Diego Zanchetta e Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

28 Maio 2014 | 18h 55

Votação, simbólica, durou menos de 50 segundos; prefeito deve vetar proposta

Atualizada às 19h42

SÃO PAULO - Em votação simbólica e que durou menos de 50 segundos, a Câmara Municipal aprovou nesta quarta-feira, 28, projeto, em segunda discussão, que acaba com o rodízio municipal de veículos. O projeto, de 2006, é de autoria do vereador e despachante Adilson Amadeu (PTB). O prefeito Fernando Haddad (PT) deve agora vetar a proposta. A aprovação revoga a lei que criou o rodízio, de 1997.

"São Paulo tem 7,3 milhões de veículos, dos quais 2,3 milhões não pagam nada. O governo tem de tirar esse montante da rua, que é o fluxo excluído pela restrição todos os dias", argumentou Amadeu. A proposta estava parada no Legislativo e fora de pauta há sete anos. Mas Amadeu exigia que o texto fosse submetido à votação de seus colegas - caso contrário, o parlamentar, ligado ao deputado federal Campos Machado (PTB), ameaçava obstruir a pauta de votação na Câmara.

Os vereadores contrários mal conseguiram registrar seus votos, já que era uma votação simbólica. Na votação simbólica, feita após acordo das lideranças para aprovar de uma vez só um pacote de projetos, mesmo a posição contrária não soma votos. Se fosse uma votação nominal, com a soma dos votos contrários das bancadas do PSD, do PSDB e do PT (ao todo as três siglas somam 27 dos 55 parlamentares), a proposta teria sido rejeitada e seria arquivada.

Mas a proclamação da votação simbólica foi feita pelo presidente José Américo (PT) menos de 50 segundos após o projeto ser colocado para o escrutínio dos parlamentares. Américo não quis falar com a imprensa após a votação. "Trata-se de um projeto autorizativo. Vocês agora precisam procurar o líder de governo (Arselino Tatto), ele pode falar sobre isso", argumentou Américo.

Os líderes da Casa culparam o presidente por ter deixado a votação simbólica transcorrer de forma tão rápida. Antes da proclamação do resultado o vereador Toninho Vespoli (PSOL) tentava pedir votação nominal no microfone, o que impediria a aprovação da proposta.

"Foi uma pisada de bola mesmo. O rodízio precisa ser ampliado, e não revogado num momento como esses", disparou Goulart (PSD), uma das principais lideranças da Casa. O ex-presidente Police Neto (PSD) e o líder do PT Alfredinho (PT) também registraram posição contrária. "Acabamos com a inspeção veicular, agora com o rodízio. Daqui a pouco São Paulo vai virar Pequim", declarou Police.

Tatto, líder de governo, disse ao Estado que não havia acordo para a votação do projeto. "Isso (a votação) foi feito à revelia do Executivo. Já avisei que o projeto seria vetado pelo prefeito", afirmou Tatto.

Os vereadores deixaram rapidamente o plenário logo após o fim da votação, sem falar com a imprensa. Apenas Amadeu, autor da proposta, quis dar entrevista. "Por que nós vamos manter o rodízio? Porque mesmo ontem, quando a CET não trabalhou, estava de greve, o trânsito estava muito bom", disse Amadeu.