Câmara engaveta caso contra Aurélio Miguel

Relator do processo dá a entender em discurso que cassação de vereador só em caso de estupro; judoca é acusado de cobrar propina de shoppings

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

01 Março 2013 | 02h02

Relator do processo da Corregedoria da Câmara Municipal que apurava crime de corrupção do judoca e parlamentar Aurélio Miguel (PR), o vereador Milton Leite (DEM) pediu ontem a paralisação de qualquer investigação sobre o caso e deu a entender que cassação só em caso de estupro.

"Vamos imaginar que o cidadão estuprou uma moça, matou e está preso em flagrante. Admitimos que esse cidadão seja um vereador. O corregedor submete (o relatório) ao plenário. Resta pouca dúvida das provas. Evidentemente com cópia do inquérito e do auto de prisão do eventual vereador. Neste caso, vai ao plenário e cassa-se", disse. Em relação à denúncia contra Miguel, afirmou que o processo foi mal instruído e "não havia meios de dar vazão à investigação".

Leite teve seu relatório aprovado pelos vereadores Mario Covas Neto (PSDB), Paulo Frange (PTB), Alfredinho (PT) e Roberto Trípoli (PV). O corregedor-geral, Rubens Calvo (PMDB), também defendeu o engavetamento da investigação - diferentemente da semana passada, quando disse que o caso era grave e deveria ser investigado. "Se houvesse denúncia com relevância, eu não teria problema. Investigaria até minha mãe se fosse o caso", disse, negando recuo. "Como corregedor, eu não posso ir ao Ministério Público buscar os documentos da investigação."

Calvo foi duramente criticado pelo ex-presidente Police Neto (PSD), único integrante da Corregedoria que votou contra o relatório de Leite. Ele queria que o pedido de abertura de investigação fosse votado pelos 55 vereadores no plenário, como prevê o artigo 23 do regimento interno da Corregedoria. "O plenário, soberanamente, deveria decidir a admissibilidade da investigação", declarou.

Calvo se recusou a aceitar pedido de Police Neto para requisitar ao Ministério Público cópias de provas reunidas contra o judoca. Promotores têm documentos e depoimentos de cinco ex-executivos do grupo Brookfield que apontam que Miguel recebeu propina para fazer vista grossa a irregularidades em shoppings e não citá-los no relatório da CPI do IPTU. Ele nega. "Se quiser, vá lá e pegue os documentos", respondeu Calvo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.