Câmara dá 1º aval a monotrilho do Morumbi

Moradores reclamam que a polêmica obra com vias elevadas vai criar um 'novo Minhocão' bem no meio do bairro

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2011 | 03h04

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou ontem, em primeira votação, construção de avenida de 6,1 quilômetros no Morumbi. A obra abre caminho para um monotrilho no meio do bairro da zona sul. Relatório de impacto ambiental da Linha 17-Ouro do Metrô diz que será necessário remover casas de alto padrão em uma área superior a 18 campos de futebol entre a Praça Roberto Gomes Pedrosa, na frente do Estádio do Morumbi, e a Ponte João Dias, na Marginal do Pinheiros.

A inauguração da linha que vai ligar o Aeroporto de Congonhas ao Morumbi está prevista para 2013. Mais de 3 mil moradores se organizaram em ação civil pública contra a obra, chamada de "novo Minhocão". Eles também reclamam que desapropriações vão afetar área de mais de 120 casas. Por outro lado, Estado e a Prefeitura argumentam que a linha suprirá carência de transporte público para 80 mil moradores de Paraisópolis.

Foram favoráveis ao monotrilho 49 dos 55 vereadores. Na lista dos contrários, Adilson Amadeu (PTB), Aurélio Miguel (PR), Juliana Cardoso (PT) e Antonio Carlos Rodrigues (PR). "A população está sendo enganada. O prefeito diz que é uma nova avenida e leva um Minhocão ao bairro", disparou Miguel, morador do Morumbi. "O morador de Paraisópolis nunca teve transporte público de qualidade", rebateu Cláudio Fonseca (PPS).

Desvalorização. Com 2,4 km, o último trecho da futura avenida vai atravessar a Rua Itapaiuna, que vai de Paraisópolis à Ponte João Dias. A ligação terá duas pistas de três faixas cada. Para o resto da Perimetral, como foi chamada na proposta, a previsão são duas pistas em cada sentido e canteiro central de 2 metros de largura, onde serão erguidos os postes do monotrilho. "Desde que o governo divulgou o trajeto da linha (em junho de 2010) os imóveis vizinhos dos futuros pilares se desvalorizaram mais de 40%. Até as incorporadoras que tinham projetos aprovados na região resolveram congelar as construções com medo que o impacto visual das pilastras afaste compradores", reclama Augusto Finatti, de 41 anos, corretor de imóveis no Morumbi. / D.Z.

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