Câmara dá 1º aval a expansão imobiliária na Faria Lima

A Câmara Municipal aprovou ontem projeto do prefeito Gilberto Kassab (PSD) que permite nova expansão imobiliária na Avenida Brigadeiro Faria Lima e nos arredores. A proposta, que precisa passar por outra votação até o dia 15, autoriza a venda de mais 452 mil metros quadrados para incorporadoras que quiserem construir empreendimentos em uma das regiões de São Paulo mais cobiçadas hoje pelo mercado imobiliário. Ao todo, Kassab prevê arrecadar pelo menos R$ 2 bilhões em 2012 com a revisão da Operação Urbana Faria Lima, criada em 1994.

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2011 | 03h03

Se virar lei, o projeto descongela os "estoques" (áreas disponíveis) para novos condomínios comerciais e residenciais em bairros já saturados, como Pinheiros e Itaim-Bibi, principalmente na Avenida Hélio Pellegrino e no entorno do Largo da Batata. No total, o prefeito quer vender mais 500 mil Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs), quase o mesmo número que já foi negociado nos últimos dez anos na região. A nova votação deve ocorrer na terça-feira.

A proposta teve 39 votos favoráveis, nenhum contrário e dez abstenções. O vereador Aurélio Miguel (PR) tentou aprovar emenda para vincular o dinheiro arrecadado ao investimento em moradias populares, mas acabou derrotado pela base governista. Kassab, porém, promete aplicar parte do dinheiro arrecadado nas obras do governo estadual de expansão do Metrô. O governo defende que a região no entorno do Largo da Batata, reurbanizada nos últimos cinco anos, ainda possui espaço para receber novos moradores por ter boa infraestrutura de transportes e serviços.

"Parte dos recursos dos novos títulos vai para o Metrô e para a urbanização da Favela do Real Parque", defendeu o líder do PSDB, vereador Floriano Pesaro. A votação foi tensa e chegou a ser anulada em sua primeira versão, com 39 votos contrários e apenas 2 abstenções. "Essa Casa deveria ser fechada de uma vez, já que tudo o que vem do Executivo é chancelado mesmo. Seria uma economia anual de mais de R$ 300 milhões para a cidade", disparou Miguel.

O vereador Antonio Donato (PT) também tentou, sem sucesso, vincular os recursos da nova venda de títulos ao enterramento da fiação da região.

Valor. Alguns vereadores dizem que o governo pode arrecadar mais de R$ 3 bilhões com a venda de Cepacs na região. No último leilão da operação, em 25 de maio de 2010, cada Cepac foi comercializado por R$ 4 mil, valor considerado até baixo nos dias de hoje, pela demanda do mercado. Ou seja, com a venda, a Prefeitura lucraria no mínimo R$ 2 bilhões e as construtoras poderiam usá-los para construir prédios mais altos em terrenos menores.

O governo argumenta que sobraram mais de 400 mil metros quadrados para serem comercializados na região, mas não havia mais Cepacs. Por isso foi necessário revisar a lei. O montante arrecadado será investido em melhorias dentro do perímetro da operação, nos bairros de Pinheiros e Itaim-Bibi.

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