Bueiro estoura e assusta vizinhos no Ipiranga

Segundo Eletropaulo, estrondo e fumaça foram causados por vapor d'água e local não tem gás

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2011 | 03h01

Um estouro de um bueiro da AES Eletropaulo no Ipiranga, zona sul de São Paulo, assustou moradores e trabalhadores do bairro, na manhã de ontem. Por volta das 9h, funcionários de uma escola de idiomas na frente do poço de inspeção escutaram um forte estrondo, como o de uma explosão, e viram fumaça branca saindo da galeria subterrânea. A tampa de ferro, que pesa entre 60 e 80 quilos, saiu do lugar. Ninguém foi atingido.

É o quinto incidente envolvendo bueiros de concessionárias de serviço público na cidade desde fevereiro. A falha aconteceu em um bueiro cravado no asfalto da Avenida Dom Pedro I, esquina com a Rua Jorge Moreira.

Os bombeiros foram chamados pelo porteiro da escola, João Rosa Cardoso, de 35 anos. Ele escutou o estrondo e viu a fumaça branca escapar do poço durante 40 minutos. "Fiquei com medo. Ainda bem que não tinha ninguém passando na hora, porque com aquele peso a tampa podia machucar." Cardoso diz que não viu fogo no local.

Os bombeiros foram ao lugar, mas não fizeram nenhuma intervenção no bueiro, já que não havia fogo. Eles apenas aguardaram o trabalho dos técnicos da Eletropaulo, segundo a Assessoria de Imprensa da corporação.

'Evaporação'. A Eletropaulo garante que não houve explosão. A Assessoria de Imprensa da empresa disse que houve "apenas uma fumaça provocada pela evaporação da água acumulada dentro do poço, o que acontece quando chove muito, porque o local é quente".

Segundo o diretor regional norte da Eletropaulo (que atende a região do Ipiranga), William Fernandes, a equipe de análise preliminar identificou sinais de aquecimento em uma emenda da fiação que passa por lá. "Isso pode ter sido provocado pela infiltração de água na emenda."

Questionada pela reportagem sobre como uma tampa de ferro com até 80 kg poderia ter se deslocado apenas com fumaça, a Eletropaulo disse que "deduz" que alguém possa a ter aberto. O Corpo de Bombeiros disse que a equipe não mexeu na tampa.

Um guardador de carros que trabalha na esquina da avenida com a Rua Jorge Moreira, que se identificou como Oscarlito, disse que a tampa virou logo após o barulho. A Eletropaulo argumenta que isso é improvável, porque não achou marcas no asfalto.

Ainda não há um laudo final comprobatório - o que deve demorar cerca de 30 dias -, mas Fernandes garante que não houve curto-circuito.

"Se tivesse um curto ou rompimento de cabo, isso provocaria falta de energia na região e isso não teve."

Fernandes explica que o poço é uma saída da subestação, que serve como ponto de acesso para verificação dos fios sob o asfalto, que seguem para a rede aérea suspensa pelos postes.

A empresa disse que faz vistorias durante todo o ano e que o investimento geral em manutenção é de R$ 744 milhões.

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