Brizola morou por 2 décadas no prédio do colombiano

Lá, o pedetista recebeu Lula, então candidato à Presidência, em 1989, para anunciar apoio ao petista no segundo turno

Wilson Tosta, RIO, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

A calçada de pedras portuguesas na frente do Edifício São Carlos do Pinhal, na Avenida Atlântica 3.210, esquina com Xavier da Silveira e de frente para o mar de Copacabana, edifício onde Nestor Caro-Chaparro vivia, foi por pelo menos duas décadas plantão obrigatório para os repórteres de política do Rio. No edifício morava Leonel Brizola (1922-2004), herdeiro do getulismo que, após 15 anos no exílio imposto pelo golpe de 1964, voltara em 1979. Preparou posteriormente uma candidatura à Presidência com um forte toque de messianismo, de quem ia salvar o Brasil da crise que resultara no fim da ditadura, em 1985, marcada por hiperinflação, retração econômica e desemprego.

Brizola, duas vezes governador do Rio, de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994, pelo PDT, fez de sua casa um dos eixos de articulação da política local e nacional. Por lá passaram Tancredo Neves, Saturnino Braga, Marcello Alencar, Darcy Ribeiro, Miguel Arraes, Cesar Maia, Ciro Gomes, Heloisa Helena, Cibilis Vianna, Doutel de Andrade, Brandão Monteiro e Chico Alencar.

Lula. Em um dia de 1989, foi a vez de o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, ir ao local. A calçada estava cheia, havia pedetistas ressentidos com a eliminação por 0,7% dos votos a menos que o PT e petistas ansiosos pela aliança no segundo turno contra Fernando Collor (PRN). A tensão era tanta que quase houve confronto. Ativistas do PDT gritavam "Brasil urgente, Lula pra servente". A conversa no apartamento deu certo: o pedetista anunciou, dias depois, o apoio a quem chamou de "sapo barbudo que faria a elite engolir".

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