Brincadeira da pulseira termina em estupro

Brincadeira da pulseira termina em estupro

Em Londrina, 4 jovens - 3 deles menores - são acusados de obrigar garota a fazer sexo

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

01 Abril 2010 | 00h00

/ CURITIBA

A aparentemente inofensiva moda das pulseiras de silicone, difundida entre jovens, terminou em estupro em Londrina, norte do Paraná. Uma adolescente de 13 anos foi vítima de abuso sexual após ter uma de suas "pulseiras do sexo", "pulseiras da malhação" ou "pulseiras da amizade" rompida. Quatro jovens ? um de 18 anos e outros três menores ? são acusados do crime.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude de Londrina, Ademir Ribeiro Richter, proibiu ontem a venda das pulseiras no comércio da cidade. A Câmara Municipal também discute a elaboração de um projeto de lei para proibir a comercialização do produto.

As finas pulseiras de silicone coloridas influenciam o comportamento de crianças e adolescentes de todo o mundo e ganharam conotação sexual na Inglaterra. Cada cor representa uma atitude. Ao ter uma pulseira rompida, a jovem tem de dar beijo, abraço ou fazer outros carinhos.

Em Londrina, a brincadeira se transformou em violência sexual por volta de meio-dia do dia 15 de março, no terminal central de ônibus da cidade, segundo o delegado William Douglas Soares, da 10.ª Subdivisão Policial.

De acordo com a polícia, a vítima e três dos autores se conheceram no dia 14, no mesmo lugar, quando a jovem saíra da escola e esperava o ônibus para voltar para casa. No dia seguinte, um dos rapazes chegou até a adolescente e arrebentou a pulseira preta, que representa relação sexual.

"Ficou muito claro que a motivação (da relação sexual) foi o uso da pulseira, porque eles não tinham laço de amizade", afirmou Soares. "Ela disse que, depois que a pulseira foi arrebentada, eles a pressionaram. Ela se sentiu constrangida e os acompanhou até a casa de um deles."

Constrangimento. Segundo o delegado, não houve nenhuma coação com arma, mas a menina acompanhou os três rapazes que a abordaram até a casa do que tem 18 anos. Lá chegou uma quarta pessoa, outro adolescente.

"Praticaram atos libidinosos com ela, até mesmo relação sexual", disse Soares. Segundo ele, o fato de ela ter acompanhado espontaneamente os rapazes não interfere no crime, pois o estupro de vulnerável (menor de 14 anos) independe de vontade.

A família da menina procurou a polícia no dia 23 para fazer a denúncia. Como não foi realizado flagrante, os jovens respondem ao inquérito em liberdade.

Segundo o delegado, "aparentemente" a adolescente sabia do significado das cores. No interrogatório, acompanhada dos pais, ela disse não ter total dimensão do que representavam e de que teria de consentir o ato sexual caso sua pulseira fosse rompida.

Acompanhamento. A menina foi entregue ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social para ter acompanhamento psicológico. Em caso de condenação, o rapaz de 18 anos pode pegar pena de 8 a 15 anos de prisão e os menores podem receber medidas socioeducativas.

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