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Briga entre vizinhos por barulho deixa três mortos em Santana de Parnaíba

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2013 | 07h 20

Empresário matou casal a tiros e se matou em seguida em condomínio de luxo de Tamboré

Atualizada às 15h30

SÃO PAULO - Uma briga entre vizinhos em Santana do Parnaíba, Grande São Paulo, acabou com três mortos na noite de quinta-feira, 23. Vicente D'Alessio Neto, dono de uma metalúrgica, desentendeu-se com os moradores do andar de cima de seu prédio, pegou um revólver calibre 38 e executou o casal que morava ali, por volta das 21h. Em seguida se matou no elevador do edifício, que fica na Avenida Marcos Penteado Uchôa Rodrigues, em um condomínio de luxo no bairro de Tamboré. O caso foi registrado na Delegacia de Santana de Parnaíba.

Segundo a polícia, Neto, que mora no 11º andar, foi ao andar de cima, tocou no apartamento dos vizinhos e disparou seis tiros, matando Fabio de Rezende Rubim, subsíndico do prédio, e a mulher, a dentista Miriam Cecilia Amstalden Baida - ela completaria 38 anos nesta sexta-feira, 24. Em seguida, o empresário voltou para casa, recarregou a arma e se matou no elevador de serviço. A filha de um ano e meio das vítimas estava na apartamento na hora do ataque, mas não ficou ferida. Ela está com a avó.

Vizinhos dão versões diferentes sobre como começou o bate-boca entre os moradores. Uma delas é a de que Rubim, teria ligado para o síndico para reclamar do barulho vindo do apartamento do empresário. Neto teria então subido para tirar satisfação e assassinado o casal. O revólver usado no crime estava com o registro vencido desde 2011, informou o delegado Andreas Schiffmann.

Outra versão dá conta de que a confusão teria começado quando Neto brigou com o síndico, ainda às 19h30,reclamando do barulho de salto alto no apartamento do casal - o síndico lhe disse que não poderia fazer nada, por conta do horário. Contrariado, o empresário teria saído na varanda,por volta das 20h30, e começado a discussão que culminou com as mortes.

Neto teria baleado primeiro Rubim, que o atendeu na porta - a vítima ainda tentou fechar uma segunda porta, no corredor do apartamento, que foi alvejada. Uma vez dentro da residência, o empresário atirou em Miriam.

A mulher de Vicente disse em depoimento à polícia que o marido havia chegado em casa por volta das 20h e estava assistindo televisão quando se irritou com o barulho no 12º andar. Ela conta que ele gritou com os vizinhos da sacada e decidiu ir até o apartamento do casal, dizendo que iria resolver a situação. A viúva afirmou que tentou impedir o marido de sair com o revólver. Teria até ligado para os seguranças do prédio, mas não conseguiu detê-lo a tempo.

A mulher de Neto disse que ele recarregou a arma na sua frente. Disse que "tinha acabado com o casal" e que "tudo estava por conta dela" a partir de então. "Ele estava com a arma apontada para a esposa, por isso ela achou que seria morta também", informou um policial da Delegacia de Santana de Parnaíba, que teve acesso ao depoimento.

Segundo funcionários do condomínio, as duas famílias se mudaram há cerca de cinco anos para o endereço. Os desentendimentos começaram de um ano para cá e havia quatro brigas entre elas registrada no livro de ocorrências do edifício. Além do barulho de salto, o empresário costumava se incomodar com o choro o filha do casal.

A viúva explicou à polícia que Neto estava em um processo de deterioração mental por conta da síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que o marido descobriu ter no ano passado. Ele passava ao menos cinco dias por mês no hospital e tomava morfina três vezes por dia por causa das dores intensas.

Até as 10h, apenas a mulher de Neto havia sido ouvida. O síndico do condomínio e outras testemunhas devem ser chamados para depor ao longo do dia.