Brasil é alternativa mais segura, afirmam refugiados sírios

Brasil é alternativa mais segura, afirmam refugiados sírios

Engenheiro mecânico temia ter uma vida precária na Europa e preferiu vir para o País mesmo sem conhecer ninguém

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Apesar dos países europeus ainda serem vistos como mais vantajosos para os imigrantes, por causa da ajuda financeira e das políticas de acolhimento – como abrigos e programas de emprego –, os sírios que vieram para o Brasil disseram que o País é uma alternativa mais segura, sobretudo para as famílias.

O engenheiro mecânico Talal Al-Tinawi, de 42 anos, mudou-se para o Brasil com a mulher e os dois filhos, hoje com 13 e 10 anos, há cerca de um ano, quando viu que a situação na Síria só se agravava. “Não dava para criar meus filhos naquela situação, mas também não ia arriscar ir para a Europa de forma precária e colocar a vida deles em risco. Por isso, vim para o Brasil, mesmo sem conhecer ninguém.”

Al-Tinawi tem um irmão que arriscou a travessia de barco até a Europa e agora está na Alemanha. “Lá, ele vai ficar um ano em um abrigo para refugiados, aprendendo alemão e recebendo. Aqui é diferente, estou trabalhando muito e ainda assim é difícil.” Al-Tinawi não conseguiu emprego como engenheiro. Por isso, ele a mulher começaram a cozinhar pratos típicos sírios para vender. Estão arrecadando dinheiro para abrir um restaurante em São Paulo.

Engenheiro de computação, Fadi Khankrin, de 32 anos, veio para o Brasil há um ano e meio só com a mulher, apesar de também não conhecer ninguém no País. Recém-casados, eles queriam começar uma família, mas tinham medo da situação na Síria. “Juntamos nossas economias e viemos para cá. Minha mulher está grávida de 7 meses e eu ainda não consegui emprego. Não sei como vamos fazer quando o bebê nascer”, disse, preocupado.

Crise migratória. O mundo enfrenta a pior crise de refugiados desde a 2.ª Guerra Mundial. Segundo dados da Organização Internacional para as Imigrações (OIM), só neste ano cerca de 365 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo, e mais de 2.700 morreram na travessia. O caso causou comoção na quarta-feira quando jornais de todo o mundo publicaram a foto do menino sírio Aylan Kurdi, de 3 anos, que morreu afogado quando sua família tentava a travessia do mar Egeu. “Ficamos com o coração entristecido, são nossas crianças morrendo. Infelizmente, esse menino não foi o único”, disse Al-Tinawi. Dos 4 milhões de sírios refugiados no mundo, mais de 1 milhão é de crianças

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