WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Blocos de carnaval de SP poderão captar dinheiro via Lei Rouanet

Mecanismo permite que empresas abatam de impostos valor investido em patrocínios culturais e já é usado por escolas de samba

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 23h02

SÃO PAULO - Os blocos de carnaval de rua de São Paulo vão poder, pela primeira vez, captar recursos via Lei Rouanet, do Ministério da Cultura (MinC), para financiar seus desfiles em 2018. 

+++ Doria quer pôr carnaval de blocos na 23 de Maio

O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 28, pelo vice-prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), durante a primeira reunião da Prefeitura com os blocos de carnaval para organizar a edição do ano que vem.

A captação via Lei Rouanet, que permite que empresas abatam de impostos o valor investido em patrocínios culturais, já é utilizada por escolas de samba e grandes blocos fora de São Paulo, como o Galo da Madrugada, em Pernambuco.

Segundo Covas, a Prefeitura negociou com o MinC para que os blocos paulistanos também possam buscar patrocínio de empresas por meio de lei federal de incentivo. 

"O que nós queremos é ter um carnaval ainda melhor do que tivemos neste ano e, para isso, estamos buscando multiplicar a capacidade de financiamento sem utilizar os recursos da Prefeitura", disse o vice-prefeito.

Neste ano, a Prefeitura obteve um patrocínio de R$ 15 milhões da Ambev para o carnaval de rua, que reuniu mais de 400 blocos. Segundo a gestão João Doria (PSDB), o patrocínio permitiu que pela primeira vez nenhum centavo de dinheiro público fosse gasto com a infraestrutura dos blocos.

Prazo apertado

Embora tenham elogiado a iniciativa, os blocos não se mostraram entusiasmados com a possibilidade de captar recursos já para o carnaval do ano que vem por causa do prazo final para apresentar os projetos no Ministério da Cultura, a sexta-feira da semana que vem, 6 de outubro. 

"É um prazo muito curto e a gente sabe que sabe que existe uma burocracia muito grande no ministério. Muitos blocos não têm CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), estatuto e nem sabem como fazer isso", disse Jorge Garcia, que há 16 anos comanda o bloco Amigos da Vila Mariana.

"É importante isso estar na pauta, mas o carnaval de rua de São Paulo, em sua maioria, é feito artesanalmente. Contar com a Lei Rouanet é uma realidade um pouco distante", disse Alê Youssef, do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. 

Nesta quinta, dezenas de representantes de blocos foram a uma reunião na Prefeitura apresentar propostas para o carnaval de 2018. Houve cobrança por melhoria na infraestrutura dos blocos que desfilam em bairros da periferia, pedidos de garantia de roteiro dos blocos tradicionais e liberação para que os blocos possam ter seus próprios patrocinadores, sem sofrerem sanções por causa do patrocinador master do evento.

 

Trajeto

Para 2018, a gestão Doria estuda abrir a Avenida 23 de Maio, o Corredor Norte-Sul, para receber os grandes blocos de fora de São Paulo ou novos grupos que queiram desfilar na cidade. Outro endereço analisado é a Avenida Tiradentes. Ainda não houve definição sobre o trajeto.

"A Prefeitura tem todo o direito de abrir novos trajetos desde que não iniba os trajetos tradicionais já existentes e que não inflacione o pré-carnaval, porque a gente sabe que a maioria dos blocos de fora de São Paulo quer vir para cá no pré-carnaval", disse Alê Youssef, do Baixo Augusta.

"Nosso bloco sai há 70 anos pelas mesmas ruas do Bexiga. Não podemos abrir mão dessa tradição, o trajeto é intrínseco ao bloco", disse Carlos Gonçalves, do Bloco dos Esfarrapados.

 

 

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