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Bebê de 1 ano e 7 meses é morto no colo da mãe por bandidos em fuga

JULIANA DEODORO - O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2012 | 02h 03

Pedro Henrique é a mais nova vítima da onda de violência; criminosos se irritaram ao tentar ultrapassar carro onde ele estava e atiraram

O menino Pedro Henrique do Patrocínio Manga, de 1 ano e 7 meses, morto na noite de anteontem em São Bernardo do Campo, no ABC, é a mais nova vítima da onda de violência na Grande São Paulo. Bandidos em fuga atiraram no carro em que ele estava com a mãe e o padrasto, por não conseguirem ultrapassá-lo. Outras seis pessoas morreram durante a noite de anteontem e a madrugada de ontem.

O bebê havia acabado de sair de casa com a mãe, Thamyres Santos Silva Manga, de 22 anos, e com o padrasto Jurandy Luis da Silva Filho, de 20, quando três homens em outro carro tentaram ultrapassá-los e dispararam três tiros. Um deles atingiu o menino no pescoço. Ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde já chegou sem vida. Pedro Henrique estava no banco de passageiro e morreu nos braços da mãe.

Segundo o delegado titular do 3.º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, Kazuyoshi Kawamoto, o carro do padrasto de Pedro Henrique se tornou um alvo por estar no caminho de fuga dos três bandidos.

Poucos minutos antes de atingirem o menino, os três homens haviam disparado contra um adolescente de 17 anos. Ele estava na porta de casa com a mãe, o irmão e a namorada quando o carro parou, um dos homens desceu, jogou o menor contra a parede e atirou na cabeça dele. Um dos criminosos ainda tentou atirar novamente, mas a arma falhou. O tiro pegou de raspão no adolescente e, na tarde de ontem, ele já havia sido liberado.

Durante a fuga, os bandidos encontraram o carro de Silva Filho, padrasto do menino. Os dois carros subiam a Estrada Galvão Bueno e os bandidos, apressados, piscaram o farol para fazerem a ultrapassagem. Pensando que fossem amigos, o padrasto seguiu mais devagar e, em uma lombada, parou para tentar identificar quem sinalizava. Os bandidos ultrapassaram então pela contramão e atiraram contra o veículo.

De acordo com a polícia, o adolescente já cometeu atos infracionais e há indícios de que o ataque seria para acertar dívidas. A família nega. Duas câmeras de estabelecimentos comerciais podem ter gravado a ação e as imagens serão usadas para tentar identificar os bandidos.

No enterro do bebê, ontem à tarde, no Cemitério Vale da Paz, em Diadema, familiares estavam indignados. "Não tem explicação. Esperávamos que houvesse lei. A cidade virou um bangue-bangue e ninguém vai devolver Pedro Henrique para mim", afirmou o avô materno, José do Patrocínio Silva, de 53 anos. "Cadê o governador agora? Fala para ele vir aqui explicar isso."

Durante o enterro, a mãe, que foi atingida de raspão pela bala, estava inconsolável. "Não tenho mais motivos para viver. Deveria ter sido eu, não ele", disse. "Hoje foi o meu sobrinho, amanhã pode ser o seu. Se alguém viu a placa do carro, por favor avise a polícia", pedia Elivânia da Silva, tia de Pedro Henrique.

Vítimas. Em um período de 10 horas, entre o início da noite de anteontem e a madrugada de ontem, mais seis pessoas morreram e outras seis ficaram feridas a tiros - pelo menos uma delas estava ontem em estado gravíssimo no hospital. Entre os mortos estão um suspeito baleado por policiais e uma vítima de tiros disparados por criminosos em motos. / COLABOROU ARTUR RODRIGUES

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