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Bastidores: Descontentes, vereadores querem diálogo com Haddad

Adriana Ferraz - O Estado de S. Paulo

20 Junho 2014 | 03h 00

Prefeito vai precisar mudar sua estratégia - e fazer política -, se quiser virar o jogo na Câmara Municipal

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) vai precisar mudar sua estratégia e fazer política, se quiser virar o jogo na Câmara. Os encontros esparsos com os vereadores, e sempre em tom professoral; a falta de prioridade ao elencar os temas levados a plenário; e a fraca articulação com líderes da base e da oposição são apontados como os principais “erros” a serem corrigidos pelo petista às vésperas da votação do Plano Diretor.

Para aprovar o projeto que reordena o planejamento da cidade pelos próximos 16 anos, Haddad terá de fazer concessões. Quando o tema for levado a plenário, serão necessários 33 votos para aprová-lo - a permissão para debater a autorização do feriado na segunda exigia 28 e recebeu 27. Alcançar a diferença entre o placar obtido e o necessário exigirá, além de diálogo com os partidos que compõem a base, mais jogo de cintura para tratar os problemas de “casa”. 

Os petistas se dividem hoje em três grupos na Câmara, e todos estão descontentes. Tem vereador que sonha virar secretário, outros que buscam disputar a presidência da Casa e ainda os que pleiteiam a permissão para indicar subprefeitos. Nessa lista, especificamente, as reclamações crescem a cada dia e não só entre os petistas. Alguns dos aliados mais populares de Haddad ainda buscam cargos para distribuir em seus redutos eleitorais.

Nesse contexto, tem parlamentar que não esconde a saudade que sente do tratamento dado pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que abria as portas de seu gabinete e sua casa para conversas ao pé do ouvido. “Ele tinha 4 ou 5 articuladores na Câmara, que negociavam com a base e a oposição. Quando tirava com uma mão, compensava com a outra”, comenta um deles. Nos seis anos em que esteve à frente da Prefeitura, Kassab nunca perdeu a maioria.

O método de Haddad é outro, exemplificado pela forma como resolveu distribuir os ingressos da abertura da Copa do Mundo em Itaquera. Somente os líderes de bancada tiveram acesso aos portões do estádio. Outros 40 vereadores ficaram de mãos abanando. Na quarta, foi a vez de Haddad.

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