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'Basta ter vontade para aprender a sambar', afirmam professores

Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2014 | 07h 00

Ainda dá tempo de aprender a sambar até o carnaval; academia de São Paulo oferece até aulas de graça misturando elementos do axé e do funk

Dançar samba é uma arte progressiva: primeiro se sente a batida, o corpo começa a se movimentar e, por fim, vem a coordenação dos pés. Mas esse domínio não é o mais importante. "Basta ter vontade" é a sugestão unânime dos professores. "E carão", completa Neide Carvalho, de 48 anos, professora da academia Saggitance.

A menos de uma semana do carnaval, quem tiver disposição ainda pode aprender os passos para arrasar na avenida, nos blocos de rua e nas festas temáticas - e, de quebra, queimar até 400 calorias em uma hora.

"O samba é movimento e prazer", ensina Rosi Alves, de 28 anos, professora desde os 18 e que, segundo afirma, já desfilou em quase todas as escolas de samba de São Paulo. Ela ensina na academia Ecofit, em Alto Pinheiros, que promove aulas até o dia 28. Segundo Rosi, a primeira aula é dedicada à coordenação dos pés em músicas lentas, que aos poucos evoluem para as mais rápidas. Na segunda aula, ensina a movimentar braços e quadril. "Enquanto o samba do malandro é mais irreverente, o da dama exige um glamour, um alinhamento, e muito quadril", afirma.

A terapeuta Mariza de Paula, de 49 anos, é um exemplo de que não precisa ter ginga para se tornar destaque no samba. "Fui convidada a desfilar na Dragões da Real pela elegância da minha postura. Fui madrinha de bateria aos 40, e agora sairei no carro abre-alas. Sabiam que eu não tinha muito samba no pé, mas me chamaram pela minha energia e alegria", explica. As aulas a estavam ajudando com a parte mais técnica. "Eu ficava com vergonha, mas agora me sinto mais bonita. Aprendi a ter leveza com o rosto e com as mãos. Mas o que eu gosto no samba é que nada está errado. Qualquer movimento está certo dentro do contexto de carnaval", ressalta.

Neide, professora da Saggitance, diz que a procura pelas aumenta muito antes do carnaval, e que atualmente tem 20 alunos no módulo samba no pé - entre eles dois homens e duas estrangeiras, uma portuguesa e uma argentina. "A pessoa não pode ter vergonha. Tem que se sentir poderosa mesmo. O movimento é para cima, por isso a postura é fundamental. Não pode ter cabeça baixa e ombros caídos, senão parece um boneco de Olinda", ensina. Se alguém quiser ficar craque para o próximo carnaval, Neide diz que pretende abrir uma turma de samba para março.

De graça. Assim como a Ecofit, a academia Bio Ritmo busca unir elementos de outros ritmos ao samba. Com aulas grátis todos os dias da semana até sexta-feira (basta imprimir o free pass no site da academia), cada dia em uma unidade diferente, a Bio Ritmo faz uma folia. A academia firmou parceria com a Rosas de Ouro, que leva a bateria da escola e até algumas passistas à aula que mistura funk, axé e até os passos da Ala das Baianas. Roberto Popper, de 70, estava participando de sua primeira aula de samba. "Gostei muito e quero repetir", disse ele, que dançou até o chão.