Barra Funda: construtora é multada

Brookfield foi autuada pela Prefeitura em R$ 10 mil por ter continuado, mesmo sob embargo, obra na frente de torres interditadas

Nataly Costa - O Estado de S.Paulo,

04 Outubro 2012 | 03h03

SÃO PAULO - A construtora Brookfield foi multada em R$ 10 mil pela Prefeitura de São Paulo por ter continuado, mesmo sob embargo, a obra do Marquês Business Center, prédio comercial em construção na frente das torres interditadas na segunda-feira por risco de desabamento na Barra Funda, zona oeste da cidade.

Uma das hipóteses da Defesa Civil é de que a escavação e a retirada de terra durante as obras, que começaram há cerca de dois meses, tenham influenciado nos tremores sentidos pelas pessoas que trabalham no Condomínio Lex Offices. Continuam interditados os dois prédios de 16 andares e 360 salas comerciais, a maioria de escritórios de advocacia, uma vez que o conjunto fica a poucos metros do Fórum da Barra Funda, na Rua do Bosque.

Quando interditou as duas torres, na segunda-feira, a Subprefeitura da Lapa exigiu que a Brookfield interrompesse as obras na frente do local até que ficasse provado que não houve correlação com as rachaduras e fissuras nos subsolos do Lex Offices, usados como estacionamento. Também pediu à construtora um laudo da obra e uma série de documentações, incluindo alvará de execução.

A subprefeitura multou a construtora por "movimentação de terra sem autorização prévia" e diz que a construção deve permanecer paralisada. "A Brookfield Incorporações informa que já atendeu às solicitações da Defesa Civil feitas no dia 1.º de outubro e colocou a documentação à disposição para comprovar que a obra está regularizada", disse ontem a construtora, em nota. A empresa ressalta ainda que solicitou a avaliação técnica de um consultor de fundações. "As conclusões do parecer reforçam que as atividades na obra não influenciaram o problema que acarretou na interdição das torres."

A Brookfield diz ainda que a distância entre o subsolo da obra e o dos prédios interditados é suficiente para não causar interferência. "Os tirantes utilizados pela empresa no local têm 22 metros de comprimento, com uma inclinação de 30 graus, o que equivale a 19 metros projetados em linha reta. A distância do subsolo da obra até o subsolo dos prédios interditados é de 28 metros, ou seja, os tirantes terminam a 9 metros dos edifícios."

A responsável pela obra do Marquês Business Center afirma que, apesar de ter protocolado, em dezembro de 2011, o pedido de alvará de aprovação e execução de movimento de terra, "ainda não obteve retorno" da Prefeitura. Deu prosseguimento à construção amparada pelo Código de Obras, que diz que a construção pode ser iniciada quando não há decisão sobre a aprovação do alvará pelo município.

Ontem, a construtora TSR, responsável pelo Lex Offices, entregou o laudo estrutural dos prédios, que agora passarão pela análise de técnicos da subprefeitura. Hoje, a administração deve posicionar-se sobre a volta do funcionamento dos edifícios.

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