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Bando usa bombas e queima veículos em assalto em Campinas

Na fuga da empresa de valores, os criminosos abriram caminho à bala, atirando com fuzil contra imóveis vizinhos, causando pânico

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José Maria Tomazela,
O Estado de S. Paulo

14 Março 2016 | 09h39

SOROCABA - Com armas de guerra e explosivos, pelo menos 20 homens atacaram a empresa de valores Protege e espalharam o terror, entre 4h30 e 5h30 desta segunda-feira, 14, em Campinas, interior de São Paulo. O prédio, com paredes crivadas de balas, foi destruído pelas explosões, que atingiram também imóveis vizinhos. O bando pode ter levado até R$ 50 milhões – a quantia correta não foi confirmada pela empresa. Até o fim da tarde, ninguém havia sido preso. Apesar da violência, não houve feridos.

Segundo a Polícia Civil, a ação foi planejada em detalhes. Os criminosos, encapuzados e com roupas escuras, primeiro dominaram motoristas e incendiaram dois caminhões nos principais acessos da Via Anhanguera para a empresa, instalada no bairro São Bernardo. 

Na sequência, abriram caminho a tiros de fuzil para dominar os seguranças e invadir a base operacional da Protege, na Rua João Felipe Xavier da Silva. Enquanto um grupo atirava para todos os lados na parte externa, outro usava um arsenal de bombas para explodir paredes e detonar a sala forte, onde estavam os malotes com dinheiro.

O impacto das dinamites abriu um rombo de 4 metros quadrados na parede externa, reforçada com vergalhões de aço. O portão metálico do acesso principal foi lançado na rua. Um carro foi destruído pela explosão. Os seguranças foram levados para os fundos do prédio. 

Os bandidos ficaram o tempo necessário para instalar dinamites, explodir os cofres e carregar o dinheiro. “Arrebentou tudo, do chão ao teto. As salas de controle, a tesouraria, a cobertura metálica, está tudo arregaçado. O clima lá dentro é de pavor”, disse uma funcionária convocada para ajudar na limpeza, que não quis ser identificada.

Pregos. Na parte externa, redes de telefonia, internet e cabos das câmeras de segurança foram cortados. “Pelo estrago, a impressão é de que romperam os cabos com tiros”, disse o operador da rede, Nathan Brito. Na fuga, os carros saíram em várias direções. A Polícia Militar montou um cerco aos criminosos, mas os bandidos haviam espalhado pregos nas ruas. 

Um helicóptero da PM nem chegou a decolar: a quadrilha estaria equipada com armas capazes de derrubar a aeronave. Foram achadas cápsulas de calibre .50 na frente da Protege.

A Delegacia de Investigações Gerais não descartou a possibilidade de ser a mesma quadrilha que, no início de novembro, atacou a base da Prosegur, também em Campinas. “Isso faz parte da nossa linha de investigação. O que sabemos é que a ação foi planejada com base em informações sobre a operação da empresa”, disse Marcelo Hayashi, chefe da investigação. 

Iraque. Moradores narraram cenas de guerra. A explosão e os estilhaços destruíram todos os vidros da fachada de uma igreja evangélica do outro lado da rua. O prédio teve um buraco na parede e também foi alvo de disparos. “Uma bala atravessou a vidraça, perfurou uma caixa de som e ficou cravada na outra parede”, relatou o encarregado de manutenção Pedro Bento, de 61 anos. Funcionários que dormiam no local abrigaram-se nos banheiros.

O administrador da igreja, Nelson Matos, de 66 anos, lembrou de outro assalto, há um ano. “Aquele foi brincadeira perto deste. A comunidade está muito assustada e seria melhor que eles se mudassem daqui.”

O frentista Juarez Costa, de 38 anos, morador da rua em frente, tomava café quando ouviu tiros e explosões. “Estava pronto para sair, mas fiquei em casa, pois os tiros não cessavam.” 

A aposentada Vilma Rodrigues, de 78 anos, e a filha Beatriz, de 54, moram na Vila Pompeia, a sete quadras, e acordaram assustadas. “Achei que era temporal, pois parecia trovoada.” Paulo Lima, funcionário de um lava-rápido, mora na Santa Cecília, a 7 quilômetros, e também ouviu as explosões. “Primeiro, bum; depois os tiros. Tive a sensação de estar no Iraque.”

É o segundo assalto à Protege, que fica em um bairro com empresas e lojas, mas predominantemente residencial. No anterior, há um ano, os criminosos teriam levado R$ 7 milhões.

Em nota, a Protege informou que aguarda a investigação e, por isso, colabora com as autoridades policiais. Indagada especificamente sobre o valor levado, a empresa respondeu que, por ora, não divulgaria mais informações.

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