Bando faz gerente refém por 12 horas

São dois adolescentes e um adulto; segundo delegado, bandidos escolheram as vítimas apenas pelo carro vistoso

CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARAÇATUBA, JULIANA DEODORO, CHICO SIQUEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO , ARAÇATUBA, JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2012 | 03h01

Ladrões fizeram uma gerente de banco refém por 12 horas e roubaram cerca de R$ 300 mil da agência do Santander de Cafelândia, no interior de São Paulo. A gerente foi rendida ao chegar em casa, às 20h de segunda-feira, e foi solta na manhã de ontem após os ladrões fugirem em dois carros com o dinheiro dos caixas e do cofre. A gerente disse que não foi agredida e os bandidos demonstraram saber sua rotina e a de outros funcionários do banco em detalhes.

Na noite de segunda-feira, depois de ser rendida por três homens armados, ela foi levada em um carro, com os olhos vendados, a um cativeiro, onde passou a noite. De manhã, foi trazida de volta para casa, tomou banho e seguiu para o banco, em seu carro, com dois ladrões. Outros três também entraram na agência. A gerente foi obrigada a desligar o alarme e a abrir o cofre e os caixas. Funcionários que chegavam eram rendidos.

Ao saírem, ladrões avisaram que levariam o carro da gerente, mas o deixariam na entrada da cidade, onde foi achado. A polícia não tem pistas do bando.

A polícia apreendeu, na madrugada de ontem, outros três responsáveis pela tentativa de roubo contra familiares do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ivan Sartori. No domingo, um dos seis ladrões que participaram da ação já havia sido preso.

De acordo com o delegado titular do 83.º Distrito Policial (Parque Bristol), Enjolras Rello de Araújo, os três bandidos moravam na Favela do Boqueirão, no bairro do Ipiranga, sudeste da capital. Dois deles, adolescentes de 15 e 16 anos, confessaram o crime e foram mandados para a Fundação Casa - um já tinha passagem pela instituição, acusado de porte ilegal de armas.

O terceiro suspeito detido foi o adulto Vitor Hugo Viana, de 19 anos, conhecido como "Chatão". Apesar de negar participação na tentativa de assalto, o jovem foi reconhecido por um dos policiais que escoltava a família no dia. Sua prisão temporária já foi decretada. A polícia informou que ele foi mandado para o 77.º DP.

Segundo o delegado do 83.º DP, a Polícia Civil continua a investigação para deter os dois criminosos que ainda estão sumidos. Enjolras Araújo descarta a possibilidade de tentativa de sequestro. "O carro era vistoso e chamou a atenção. Eles queriam roubá-lo, mas foram pegos de surpresa pela escolta", disse o delegado, que trabalha com hipótese de crime comum.

Crime. A tentativa de assalto aconteceu na noite de domingo, quando seis homens fortemente armados abordaram o Hyundai ix35 em que estavam a irmã, a sobrinha e a filha de 4 anos do presidente do TJ-SP. O carro era acompanhado por uma escolta de policiais à paisana, que, segundo o boletim de ocorrência, deram voz de prisão aos assaltantes quando eles abordaram o veículo em um semáforo na Avenida Presidente Tancredo Neves, no Sacomã, zona sul.

Os bandidos reagiram e houve tiroteio. Na tentativa de fuga, um deles usou a sobrinha de Sartori, de 27 anos, como escudo e a abandonou assim que entrou no carro. Ao perceber que a irmã e a filha de Sartori ainda estavam no Hyundai, ele saiu do veículo em movimento. A irmã do presidente do TJ-SP puxou o freio de mão e conseguiu evitar um acidente. Os outros cinco criminosos tentaram fugir a pé.

Na troca de tiros, dois assaltantes acabaram baleados e um deles, Luis Guilherme dos Santos Melo, de 19 anos, foi preso após procurar atendimento no pronto-socorro de Heliópolis (zona sul).

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