Balanço de hotel não tinha manutenção

Perito aponta mau estado de brinquedo que matou menina em hotel de Águas de São Pedro

RICARDO BRANDT , ESPECIAL PARA O ESTADO , CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2012 | 03h08

O laudo do Instituto de Criminalística deve apontar que faltava manutenção no balanço que caiu e matou a menina Inês, de 4 anos, no playground do Grande Hotel São Pedro, em Águas de São Pedro, interior paulista, anteontem.

O perito Jefferson Willians de Gaspari, que esteve ontem no hotel de luxo, afirmou em Piracicaba que "a viga, de 5,30 metros, estava comprometida por falta de manutenção" e isso teria provocado o desabamento. O laudo da perícia deve ficar pronto só na próxima semana, mas ele adiantou que, apesar da boa aparência externa da madeira do balanço, por dentro o material "apresentava sinais de ação do tempo".

A tragédia aconteceu às 12 horas de anteontem, quando a menina brincava no playground. A viga superior do balanço se soltou nos dois lados e caiu, atingindo o tórax da criança. Inês chegou a ser levada para o pronto-atendimento de Águas de São Pedro, onde morreu.

A mãe, Maria Isabel Gomes Pereira, brasileira, e o pai, Jean Jaques Schaller, francês, são professores universitários na França e passavam férias do Brasil. Eles haviam entrado no hotel um dia antes, acompanhados dos avós maternos.

Segundo o delegado seccional de Piracicaba, João José Dutra, foram intimados para depor hoje um responsável pelo hotel, o chefe da manutenção do playground e o monitor que estava no momento da tragédia. "Queremos ouvir essas pessoas para saber quem pode ter sido responsável por uma possível negligência na manutenção do equipamento." Um inquérito foi aberto para apurar homicídio culposo (sem intenção de matar).

Para a polícia, o hotel informou que o brinquedo passava por manutenção frequentemente. Em nota, o estabelecimento ressaltou que a tragédia foi uma "fatalidade" e lamentou a morte da menina. "Foram adotadas todas as providências cabíveis nesta situação." Hoje o local deve passar por inspeção do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) de Piracicaba

Enterro. O velório foi realizado ontem na casa de familiares da menina, em uma casa no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital, e o enterro ocorreu no Cemitério São Paulo. Amigos e familiares estavam muito abalados e evitaram falar. / COLABOROU CAMILA BRUNELLI

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