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Baixa vazão de rio do Sistema Cantareira provoca morte de 6 toneladas de peixes

Para o promotor Ivan Carneiro Castanheiro, não só os peixes estão em risco, mas toda população da bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí

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Ricardo Brandt ,
O Estado de S. Paulo

07 Março 2014 | 22h27

CAMPINAS - Nas cidades do interior abastecidas pelos rios que fornecem água para a Grande São Paulo, por meio do Sistema Cantareira, a falta de água já apresenta problemas desde janeiro. O Ministério Público Estadual recebeu laudo da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que confirma que a mortandade de 6 toneladas de peixes registrada em fevereiro no Rio Piracicaba foi provocada pela baixa vazão do manancial.

Segundo o documento, a vazão média do rio onde foram registradas as mortes é de 240 mil litros de água por segundo. Mas, neste ano, a vazão no mês foi de 14 mil litros. "Enquanto o rio mantiver vazão muito reduzida, poderão ocorrer novos eventos", informa o relatório.

Para o promotor Ivan Carneiro Castanheiro, não só os peixes estão em risco, mas toda população da bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí - cerca de 5,5 milhões. "Com os rios com pouca água, aumentam os poluentes e fica mais difícil tratar água. As pequenas cidades têm problemas de fazer esse tratamento, é uma questão de saúde pública", afirma o promotor.

Segundo ele, até mesmo o uso da água do fundo dos reservatórios do Sistema Cantareira (chamado volume morto), que vai ser adotada pela Sabesp, coloca a qualidade da água em risco para o abastecimento.

Racionamento. Valinhos, uma das primeiras cidades a adotar o racionamento de água, deve manter o rodízio no abastecimento até dezembro. "A população vai ter de aprender a conviver com um recurso escasso e os governos terão de aprender como evitar o racionamento", afirma Francisco Lahóz, do Consórcio das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que representa usuários de água de 73 cidades do interior.

O cenário de escassez decorre da pior seca vivida em um período de verão, quando deveria estar chovendo e os reservatórios do Sistema Cantareira sendo recarregados para o período de inverno, quando chega a estiagem.

Janeiro e fevereiro foram os meses com menor volume de chuvas da história na área de influência para recarga das represas. Segundo boletim de ontem do grupo anticrise do Cantareira, em janeiro deste ano choveu 87,8 milímetros quando a média é de 259,9 mm. A vazão de água do sistema no mês chegou a 23% da média, enquanto em janeiro de 1953 (pior seca) era de 39%.

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