Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

BaianaSystem e Karol Conká promovem ritual terapêutico com grave e suor no Vale do Anhangabaú

Banda e artista se apresentaram no início da noite na festa de aniversário de São Paulo, nesta quinta-feira, 25

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 22h58

Um, dois, três, quatro, cinco rodas de pogo. Corpos misturados. Braços para o alto. Os olhos se perdem pelo mar de gente que toma o Vale do Anhangabaú no início de noite desta quinta-feira, 25, diante do palco montado sob o Viaduto do Chá, no centro de São Paulo, como parte das comemorações do aniversário da cidade. A contagem se faz impossível. 

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Diante da multidão - aproximadamente 25 mil pessoas, que é a capacidade do local, segundo a polícia militar, embora os números oficiais só sejam divulgados na sexta-feira - estava a banda BaianaSystem, considerada pela crítica como dona de um dos melhores shows da atualidade. A trupe liderada por Russo Passapusso é samba-reggae-punk-axé. Uma sonoridade única. De peso e de dança. De conscientização e de êxtases inconscientes. 

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É como um ritual religioso, embora a mensagem aqui esteja diretamente ligada ao cotidiano, à dor, grito contra o concreto e a favor das minorias. "Tire as construções da minha praia, eu não consigo respirar", disse Passapusso, ao microfone, no coração da cidade cinza, em Lucro (Descomprimido).

Depois de Duas Cidades, disco de 2016, o BaianaSystem elevou seu jogo. A crítica social vai de encontro à fusão de ritmos, do sound system com a guitarra elétrica, a distorção do punk e a guitarra do axé. 

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"A vida é curta pra viver depois", gritou Passapusso ao microfone, antes de deixar o palco para a entrada de Karol Conká, artista em ascensão arrebatadora. Com Lalá e Tombei, a rapper ferveu um cozido de rap, poder do feminino, pop e dance. Tombou, de fato. 

Com Capim Guiné, o BaianaSystem voltou ao palco com esse kuduro metaleiro. Mais rodas de pogo surgiram na multidão. E contá-las se formou mais difícil ainda. Oito? Nove? Dez? E isso é algo bom. Karol Conká voltou ao palco para Terapia. "A terapia do som que faz bem", cantam. Uma lufada de vento corta o vale pela transversal e traz consigo a quentura gerada pela multidão. Terapia que faz bem, mesmo. 

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