Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Babás top de linha são nova opção nas férias

Profissionais com curso superior, bilíngues e motoristas chegam a ganhar R$ 5 mil

Valéria França, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2011 | 03h02

Todo fim de ano é a mesma coisa: muitos pais sofrem para dar conta dos compromissos com os filhos dentro de casa. E, justamente nessa hora, a babá tira férias ou simplesmente diz que não pode acompanhar a família na viagem de verão. A novidade é que, neste ano, as agências especializadas estão oferecendo um serviço novo, o de baby-sitter de luxo.

Tem babá motorista, psicóloga, enfermeira e até bilíngue. E, como qualquer outro profissional, quanto mais preparada, maior seu valor no mercado. Há profissionais que chegam a ganhar R$ 5 mil por mês. Na Babysitter Center, por exemplo, três horas de trabalho custam R$ 150. Se a babá for bilíngue, R$ 170.

"Atualmente já estamos recebendo pedidos de pais que querem babás para acompanhar a família no cruzeiro", conta Taluana Adjunto, de 33 anos, dona da Elite Care, uma das novas agências do mercado especializadas em babás top de linha. Isso virou uma tendência, mas para viajar e passar à noite as tabelas sobem. Na véspera de Natal e ano-novo, custam 40% mais.

Foi nesse atropelo de compromissos de fim de ano que a executiva Cristina Cestari, de 40 anos, ficou sem babá para cobrir as folgas das três que já dão assistência aos trigêmeos Catarina, Leonardo e Artur, que em breve completarão 1 ano de idade.

A maior preocupação de Cristina era encontrar alguém que tivesse hábitos parecidos aos da família, principalmente na forma de se expressar e se comportar. "Não queria uma empregada doméstica, que por gostar de criança tivesse virado babá", explica.

Depois de muitas entrevistas, a executiva contratou Caroline Benigno Cardoso, de 23 anos, formada pela Faculdade de Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Ela é calma, fala baixo e estimula o desenvolvimento das crianças contando histórias", diz Cristina. Caroline também é soprano de um coral universitário. E os pequenos adoram quando ela canta para eles. "Os pais podem escolher o tipo de profissional que mais se adapta às necessidades da família", resume Taluana.

Ora chamadas de orientadoras, ora de baby-sitters, essas novas profissionais fazem o serviço básico de uma babá - como esterilizar mamadeira, dar papinha e trocar fraldas. Mas, em geral, não se encarregam de outras tarefas antes incluídas no pacote de serviços, como limpar o quarto e lavar as roupas do bebê.

Caroline, por exemplo, tem a assistência de uma diarista. "Não dá para tirar o olho de uma criança que está começando a andar, imagine então três. Todos os dias as crianças aprendem uma coisa nova e não há como prever seus movimentos. Você pode ser facilmente surpreendida", justifica. Para que as crianças tenham o suporte das quatro babás, Cristina gasta R$ 10 mil por mês.

Motorista. Uma babá muito requisitada no mercado é a que dirige. "Pais de crianças maiores gostam muito desse perfil, porque elas resolvem dois problemas de uma vez só. Além de ficarem com a criança em casa, podem levá-la a festas e outros compromissos", diz a pedagoga Marilena Coelho da Fonseca, dona da Babysitter Center.

A agência de Marilena oferece babás avulsas, que ficam com as crianças quando os pais precisam sair. "Recebo muito pedido de babá bilíngue, principalmente de estrangeiros que acabaram de mudar para cá ou estão de passagem em hotéis da cidade."

A equipe da agência passa por um treinamento básico em um berçário. Lá, são ensinados processos de higienização e cuidados específicos com os bebês. Só depois de aprovada em todas as aulas a babá pode começar a trabalhar para a agência. "O preparo é importante, até porque ela não conhece a criança que vai tratar", explica Marilena, que tem um telefone 24 horas, para atender babás e pais em caso de emergência.

Artes dramáticas. "Dá uma certa paz saber que, caso aconteça algum imprevisto, há alguém com desenvoltura para resolvê-lo na sua ausência", diz o administrador Rafael Dias, de 36 anos, pai dos gêmeos Lucas e Gustavo, de 5 meses, e de Matheus, de 3 anos. Para cuidar da turminha, Dias tem uma babá fixa. Ela acompanha os gêmeos desde que nasceram. Mas, como agora foi operada, Dias optou pela orientadora Olimares de Freitas Antônio, de 35 anos, formada pela Escola de Artes Dramáticas, na Universidade de São Paulo.

"Faço um trabalho que mistura dança e psicomotricidade", diz Olimares, que já estudou Moda e fez cursos complementares de Pedagogia. Quando está com as crianças, ela faz brincadeiras simples como imitar o movimento dos animais. "Isso estimula o desenvolvimento corporal, ao mesmo tempo que diverte."

Desde que nasceu o primeiro filho, Dias já entrevistou tantas babás que virou praticamente um especialista no assunto. "Hoje quem contrata exige muito mais. "As agências sabem disso, mas não são todas que possuem um time com profissionais como Olimares e Caroline. "Os pais não se importam de pagar mais pelo serviço", diz Marilena, da Babysitter. "O difícil é mantê-las. Outro dia perdi uma enfermeira para o Hospital Albert Einstein."

 

PARA CHEGAR A UM ACORDO

O que os pais exigem

Boa aparência

Segundo as agências, preferem as mais magras, por causa do espaço no carro

Querem que tenham pelo menos o segundo grau completo

Dão preferência às que trabalham 12 horas e, ao contratar temporárias, aumentam ainda mais as exigências. Alguns nem saem de casa nos primeiros dias

O que as monitoras exigem

Não querem limpar o quarto da criança. Cuidam só da rotina, não das coisas do bebê

Poucas aceitam casas com gêmeos e, quando fecham contrato, cobram bem mais caro

Não gostam de ser chamadas de babás

Procuram estudar o perfil dos pais antes de aceitar o trabalho

 

 

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