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SÃO PAULO

Ex-presidente da Vale e outros seis morrem em queda de avião

O acidente ocorreu na rua Frei Machado, número 110. Onze viaturas estão no local para atender a ocorrência

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Fabio Leite, Luiz Fernando Toledo, Mariana Durão e Rafael Italiani,
O Estado de S. Paulo

19 Março 2016 | 16h21

SÃO PAULO - Um avião monomotor caiu sobre um sobrado na tarde deste sábado, 19,  no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo, deixando sete mortos e um ferido. O dono da aeronave é o empresário Roger Agnelli, de 56 anos, ex-presidente da mineradora Vale. Amigos da família confirmaram ao Estado que ele está entre os mortos. Todos eles - quatro homens e três mulheres -, segundo o Corpo de Bombeiros, estavam na aeronave, que caiu às 15h23 logo após decolar do Campo de Marte.

Também estavam no avião a mulher de Agnelli, Andrea, os filhos Anna Carolina e João, além da nora e do genro Parris Bittencourt - o nome do piloto não havia sido divulgado pelas autoridades até as 23 horas de sábado. A família viajava ao Rio para participar do casamento de um parente na Gávea.

A queda da aeronave, um modelo turboélice experimental feito de fibra de carbono, destruiu uma casa de três andares na Rua Frei Machado, 110. No local, estavam cinco pessoas de uma família, que escaparam pulando o muro dos fundos da residência. O avião tinha capacidade para seis passageiros, além do piloto. Uma empregada doméstica viu a aproximação da aeronave se atirou ao chão e teve escoriações, sendo medicada na Santa Casa.

Até o início da noite de ontem, o Corpo de Bombeiros havia identificado dois dos sete corpos. "Estão todos totalmente carbonizados, mutilados. Descobrimos as sete vítimas contando os crânios", disse o major Henguel Ricardo Pereira, do Corpo de Bombeiros, que levou cerca de 40 minutos para conter as chamas da explosão.

Segundo a Aeronáutica, a aeronave decolou às 15h20 do Campo de Marte, na zona norte, rumo ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Três peritos estiveram no local até a noite recolhendo os destroços e informações que ajudem na investigação sobre a causa do acidente.

Testemunhas relataram que a aeronave bateu no muro de uma casa vizinha antes de cair na garagem de uma casa e explodir, danificando sete carros.

A dona de casa Márcia Carrara, de 64 anos, lavava a louça na cozinha ao lado da filha quando o avião caiu na sua garagem. A poucos metros, na varanda da sala, o marido brincava com o neto quando o genro gritou que um avião vinha na direção do imóvel. Foi o tempo de correr para os fundos, pular o muro e escapar ilesos. "Era para estar todo mundo morto", disse Márcia, ainda em estado de choque, duas horas depois da tragédia.

"Estava na varanda com meu neto, Depois não vi mais nada porque corri", completou o marido, Armando Carrara, de 65 anos. A casa, a última da Rua Frei Machado, tinha três andares e foi interditada pela Defesa Civil, porque corre risco de desabar. O imóvel ao lado foi parcialmente interditado.

Chamas. O acidente, que deixou sete mortos, assustou os moradores da rua, que ficou em chamas. A calçada, as paredes das casas e as árvores foram tingidas de preto após a explosão. "Vi o avião passando rápido e depois ouvi um estrondo muito alto. Tentei subir correndo para socorrer alguém, mas o querosene do avião estava descendo a rua pegando fogo em tudo", disse Toni Sargologos, de 46 anos, vizinho da casa atingida.

O major do Corpo de Bombeiros, Henguel Ricardo Pereira, acrescentou que a rua virou "um mar de fogo", pois o combustível do avião escorreu pela rua em chamas. Os bombeiros levaram cerca de 40 minutos para extinguir o fogo.

"Tinha acabado de chegar em casa e só ouvi o barulho da explosão. As janelas tremeram. Não dava para sair na rua porque tudo estava pegando fogo", contou a aposentada Marlene Camargo, 68 anos, outra vizinha. Pelo caminho deixado entre as plantas de um terreno em frente à casa atingida era possível enxergar sem dificuldades a pista do Campo de Marte.

O administrador de empresas Caio Lima, de 32 anos, disse que nunca imaginara as residências como "um alvo de aviões descontrolados". Em 2007, um avião caíra sobre três imóveis na Casa Verde, após sair do Campo de Marte. O acidente causou oito mortes.

Outros casos. Em novembro de 2007, um avião Learjet caiu sobre três imóveis na Casa Verde, zona norte, após decolar do aeroporto de Campo de Marte. A aeronave ficou no ar por apenas 15 segundos. O acidente causou oito mortes – dois tripulantes e seis pessoas da mesma família. O piloto foi apontado como o culpado pela queda. Ele fazia uma curva para a direita quando o avião caiu, mas deveria ter ido à esquerda.

A aeronave, da empresa Reali Táxi Aéreo, tinha o Rio de Janeiro como destino e tinha como piloto Paulo Roberto Montezuma Firmino, de 39 anos, e como copiloto Alberto Soares Júnior, de 24. As demais vítimas do acidente eram seis moradores de um casa, atingida em cheio pelo Learjet. O impacto do avião deixou entre os mortos um bebê de 10 meses. Duas casas foram demolidas pela Defesa Civil.

 

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