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Avenida Paulista é tomada por bandeiras e fantasias coloridas na 18ª Parada Gay

Victor Vieira - O Estado de S. Paulo - Atualizado às 18h30

04 Maio 2014 | 14h 38

A festa foi antecipada por causa da Copa do Mundo

SÃO PAULO - Depois de tomarem a Avenida Paulista e a Rua da Consolação, a 18ª Parada do Orgulho Gay foi encerrada no começo da noite deste domingo, 4. O trânsito na Avenida Paulista foi liberado por volta das 18 horas. Agora os participantes seguem para o show da cantora Wanessa, na Praça da República. Do último carro da parada saiu o alerta: "Andem todos em grupo e não aceitem provocações. Sabemos que tem grupos por aí que não gostam da gente."

A coordenação da Parada ainda não tem uma estimativa do público do evento, mas eram esperadas mais de quatro milhões de pessoas. O garçom Marcos Queiroz, de 32 anos, acha que o público tem diminuído ao longo das últimas edições. "Venho há oito anos e antes era mais cheio", diz ele. Mas a presença de curiosos na festa, de acordo com ele, segue a mesma. "Vi por aqui hoje um amigo hétero da academia, que não imaginei que pudesse vir", conta Queiroz, que não poderá ficar até o fim da programação por causa do trabalho.

"A principal diferença é que está mais organizado agora", afirma uma travesti, de 26 anos, que quis se identificar apenas como Ávila. Segundo ela, que frequenta a Parada desde a adolescência, antes a festa era mais sexualizada. "Agora está tranquilo. Dá para trazer idosos e crianças", garante.

A reportagem flagrou varias apreensões de bebidas, que eram vendidas irregularmente. Segundo policiais militares, são menos comuns problemas de comércio de drogas ilegais. Nenhuma ocorrência grave foi registrada até às 17h da tarde deste domingo, informou a PM.

Os bares da Rua Augusta e da Rua Oscar Freire também ficaram lotados com os participantes da Parada. A festa, que foi antecipada por causa da Copa do Mundo, vai até a noite. Quatorze trios elétricos desfilam na Avenida Paulista e também haverá show da cantora Wanessa e outros artistas na Praça da República, na região central da cidade.

Mobilização. Em um dos trios elétricos, organizadores da Parada falaram sobre combate ao preconceito, igualdade de direitos e criminalização da homofobia, temas centrais do movimento neste ano. Para a estudante Daniela Gomes, de 20 anos, boa parte dos participantes se esquece das pautas políticas, mas a Parada serve como um instrumento de cobrança das autoridades. "Acredito que funcione para pressionar os políticos", diz a jovem, que também vê no evento uma oportunidade de se divertir e encontrar amigos.

Para a drag queen Bárbara Moon, de 22 anos, as reivindicações políticas ficam por conta das lideranças LGBTT e dos participantes mais antigos. "A maioria das pessoas querem um momento alegre. Eu mesmo vim para me divertir", conta ela, com maquiagem e fantasias bastante chamativas, que participa do evento pela segunda vez.

Madrinha do trio do Sindicato dos Comerciários, Enne Glamour, de 34 anos, elogiou a organização da parada este ano. "Eu venho todo ano no chão. Essa foi a primeira vez que saí em um trio. Gostei muito da parte policial e da organização. Acho que a parada vem num crescente", comentou logo após descer do trio, enquanto recebia elogios de quem passava.

Apesar do vestido azul exuberante, Enne contou que não é transexual nem travesti. "Sou gay e tenho namorado. A Parada, para mim, é uma grande brincadeira. Sou engenheiro civil; não vivo disso.", afirmou.