AUGUSTA PASSA POR 'BANHO DE LOJA'

Novos prédios trouxeram consumidores e motivos para lojistas reformarem negócios

JULIANA DEODORO , NATALY COSTA , O Estado de S.Paulo

07 Março 2013 | 02h09

Imagine uma rua tranquila, com padaria, doceria, um bom restaurante para almoço, em meio a prédios, escritórios, faculdade. Poderia ser uma via qualquer em Pinheiros ou Higienópolis. Mas a rua em questão é a Augusta, famosa região boêmia do centro de São Paulo que está se transformando em bairro residencial. Puxado pela reforma da Praça Roosevelt, inaugurada em setembro, e pelos inúmeros lançamentos residenciais, o comércio de rua passa por uma recauchutagem para atender o novo público.

O visual mais "diurno" desse comércio é uma das primeiras consequências dos mais de 15 empreendimentos que estão sendo construídos por lá. Há 56 anos na mesma esquina da Augusta com a Marquês de Paranaguá, a Rotisseria Bologna, por exemplo, ficou fechada por mais de um ano para se tornar um ambiente "claro, clean com comida boa e serviço bom", como descreve a nova sócia Gleusa Ferreira.

O salão para cem pessoas agora tem uma decoração que lembra os anos 1950, com espelhos e piso branco e preto. Além disso, novos serviços de lanchonete e doceria funcionam 24 horas. "Percebemos que houve uma ampliação do tipo de clientela. O Baixo Augusta já está virando um novo point para um público diferente, de jovens e famílias."

A doceria Beijinho Doce, que nos últimos dois anos funcionava apenas como delivery, de portas fechadas, por falta de clientela, passou por uma reforma e hoje é também um café. "A região está superaquecida. A (Rua) Augusta sempre foi muito glamourosa, isso está voltando", afirma Allan Prisco, dono também da Hamburgueria 162, na Rua Luís Coelho, e da padaria Bakery St., ao lado da doceria. "O curioso é que o movimento é muito maior durante o dia do que a noite. Não pensei que fosse ser assim, o dia capitaliza cada vez mais."

Novo perfil. A valorização dos terrenos também tende a expulsar, aos poucos, as casas noturnas típicas da região. "A maioria desses clubes é de inquilinos e os donos estão sendo muito assediados pelo mercado. A mudança de perfil é irreversível, quem está comprando lá agora são jovens casais, profissionais liberais, investidores", diz Nick Dagan, diretor de incorporações da Esser, que tem quatro lançamentos no bairro.

O preço do metro quadrado já intimida no Baixo Augusta: entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. Para Luiz Paulo Pompeia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), quem vai morar ali é a classe média alta. "Tem um público gay e os descolados que têm dinheiro e acham a região interessante pela efervescência cultural", diz.

A localização - entre a Avenida Paulista e o centro, perto de mais de uma linha de metrô e ônibus - é o que mais atrai na região. A proximidade de bairros como Higienópolis, também na região central, e Jardins, na zona sul, para lazer, e o surgimento de prédios comerciais, além dos residenciais, são outro ponto forte. "A Augusta deixou de ser promessa para ser realidade. O boteco virou bar, a padaria melhorou. Todas aquelas boates serão transformadas em comércio", diz Cyro Naufel, diretor de Atendimento da Lopes.

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