Atos já têm novo grito de guerra: 'sem partidos'

Movimento mostra clara divisão em relação ao uso de bandeiras políticas; Já MPL foca em transporte e estuda próximos passos

Bruno Paes Manso, Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta, Ângela Lacerda, Luciana Nunes Leal, Heloisa Aruth Sturm, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2013 | 02h13

As manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas do País tinham reivindicações sociais diversas (saúde, educação, transporte), além de críticas contra a corrupção e um grito de guerra em comum: "Sem partidos". Militantes de partidos políticos que levavam bandeiras à concentração na Candelária para a passeata do centro do Rio, por exemplo, foram recebidos com vaias e palavras de ordem. "O povo unido não precisa de partido", gritaram os manifestantes apartidários para um grupo que levava bandeiras do PSTU, do PCB e do PC do B e descia a Rua Uruguaiana em direção à Avenida Presidente Vargas. "Sem partido", repetiam os manifestantes contrários à partidarização. "Sem fascismo", respondiam os militantes.

O secretário nacional da Juventude do PT, Jeferson Lima, de 26 anos, reagiu às vaias dos manifestantes na Avenida Paulista, afirmando que o discurso apartidário é uma estratégia de pessoas ultraconservadoras para desgastar a sigla. E afirmou que a pressão do partido ajudou a reduzir a tarifa. "Não seria esse discurso antipartidário que convenceria o (prefeito Fernando) Haddad."

Situação semelhante foi vista em Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, onde quem coordenava a multidão pedia que as bandeiras políticas fossem abaixadas. E ouvia de volta: "Bandeira na mão, liberdade de expressão." Mais uma vez, os apartidários venceram a discussão.

Mas não faltaram críticas à presença do PT de criar uma onda vermelha, até de outros partidos. "É tentativa tardia de participar de um processo do qual não se legitimaram. Aqui é um movimento de oposição aos partidos que estão no poder", disse Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL. Mas os próprios militantes da sigla eram hostilizados e entraram em discussões com integrantes do MPL. Em Florianópolis, os grupos "partidários e apartidários" seguiram caminhos diferentes.

O sentimento antipolítica não se restringia aos políticos, mas mirava líderes do Executivo e do Legislativo em todo o País. Em Brasília, muitos cartazes falavam em "buscar a Dilma" e destacavam: "Nós somos o Primeiro Poder". No Rio, o cartaz levado por uma jovem de 18 anos, que pediu para não ser identificada, também resumia esse sentimento. "Sou neta de político e ele não me representa", dizia a mensagem, escrita com tinta verde e amarela. "Não apoio as ações dele."

Próximos passos. Ontem à noite, os líderes do Movimento Passe Livre (MPL), que convoca os propostos, reafirmaram que o foco do grupo se mantém. "Se for para voltar às ruas, será para discutir transporte", afirmou o estudante de História Caio Martins, de 19 anos. A estudante de Direito Nina Capello destaca o planejamento. "Nós vencemos porque tínhamos uma pauta clara e objetiva: a redução da tarifa."

O MPL ainda vai avaliar as manifestações ocorridas ontem para depois decidir os próximos passos. Nenhuma passeata foi marcada. Para domingo, o grupo agendou atividades abertas em São Paulo para discutir a tarifa zero: na quadra do sindicato dos metroviários, no Tatuapé (zona leste), na subsede da Apeoesp (sindicato dos professores), em Santo Amaro, zona sul, e no Espaço Contraponto, no Sumaré (zona oeste). "E a luta não é só na rua. Temos um projeto de lei no Congresso para propor tarifa zero", completou Martins.

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