Atores globais participarão da Jornada

Diretor Ulysses Cruz escala Cássia Kiss, Tony Ramos, Murilo Rosa e Eriberto Leão para encenar a via-crúcis e acompanhar vigília

Luciana Nunes Leal / Rio, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2013 | 02h03

O diretor de teatro e televisão Ulysses Cruz escalou os atores globais Tony Ramos, Cássia Kiss, Murilo Rosa e Eriberto Leão para encenar a via-crúcis e participar da vigília durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio. Os envolvidos abriram mão do cachê.

Cássia Kiss viverá Maria em uma das estações da via-crúcis. "Ela não será uma mãe chorosa, sucumbida. É uma mãe segura, forte diante do sofrimento de Jesus. Eu precisava de uma atriz que não derramasse um rio de lágrimas", diz Cruz. Atrás dela virão 20 mães segurando seus filhos, todas voluntárias.

As estações serão encenadas no dia 26 de julho, em 13 palcos ao longo de pouco mais de um quilômetro da Praia de Copacabana. Alguns deles reproduzem pontos turísticos como a pedra do Arpoador e a escadaria da Lapa. A 14.ª estação será encenada no palco principal, no Leme, onde estará o papa Francisco. Em vez de ver as demais estações em um telão, como pensado inicialmente, o pontífice assistirá no palco outras encenações.

"Achei que era o maior anticlímax o papa passar pela Praia de Copacabana no papamóvel, causar aquela emoção e depois sentar e ver um telão. A pessoa mais próxima de Deus, o sumo pontífice não pode ficar olhando um telão. Inventei uma outra via-sacra, com uma trupe de 25 atores e voluntários, no palco principal", conta o diretor.

Na noite do dia 27, Cruz dirigirá a abertura da vigília que ocorrerá no espaço Campus Fidei (Campo da Fé), em Guaratiba (zona oeste), na véspera do encerramento da Jornada.

Quatro jovens que estiveram no limite do desespero e encontraram na fé um caminho para suas vidas contarão essas experiências diante do papa Francisco, para um público estimado em 1,5 milhão de pessoas. A cada história narrada, voluntários "construirão" uma igreja no palco, que depois será desmontada e terá as partes carregadas no meio da multidão.

A imagem que ilustra esta página, obtida com exclusividade pelo Estado, mostra como será o palco em Guaratiba. Além da igreja cenográfica de 8 metros de altura por 10 metros de comprimento, terá uma cruz de 33 metros.

Colunas com as palavras "amizade", "amor" e "união" também vão compor o cenário. O papa ficará em uma cadeira no fundo do palco, onde chegará depois de cruzar o Campus Fidei de papamóvel, em um trajeto iluminado por 5 mil lanternas de papel.

"A ideia é firmar o compromisso com o tema da Jornada: 'Ide e fazei discípulos entre todas as nações'. Quando você conta para alguém a sua história de encontro espiritual, você está evangelizando. Essas histórias serão intercaladas com a construção de uma igreja. Quero dizer que o jovem vai reconstruir a Igreja", descreve Cruz.

Paulista radicado no Rio há 16 anos, quando foi trabalhar na TV Globo depois de longa carreira no teatro, Cruz trabalha desde fevereiro na criação das duas montagens.

"No domingo passado, ensaiamos o cortejo da cruz peregrina na via-sacra. Tive ali uma visão da juventude positiva, que acredita. Vieram 200 jovens, com um sorriso no rosto, uma grande paixão. Chorei muitas vezes", conta o diretor, católico não praticamente e encantado com a missão que o aproximou de muitos religiosos.

Integrante do núcleo do diretor Wolf Maia e responsável, nos últimos quatro anos, pelo Criança Esperança, Cruz levou parte de profissionais da TV para este trabalho, como a figurinista Beth Filipecki e o produtor musical Roger Henri. De acordo com o diretor, ele e os demais profissionais foram cedidos pela TV Globo, sem custos para a Jornada.

Cenário. Na próxima semana, Cruz percorrerá várias cidades em busca de peças religiosas que serão usadas na encenação para o papa. "Vou resgatar os triunfos eucarísticos, quando a Igreja colocava na rua suas preciosidades. Vamos mostrar a arte sacra brasileira do Brasil Colônia até o século 21", promete.

"O tema da via-sacra é o jovem solidário. Vamos ligar a realidade da juventude ao sofrimento de Jesus. Na vigília, teremos momentos de festa, de reflexão e de oração e o papa falará aos jovens", resume o padre Renato Martins, responsável pelos Atos Centrais da Jornada - além da via-sacra e da vigília, a missa de abertura (sem o papa), a cerimônia de acolhida e missa de encerramento.

A Jornada Mundial da Juventude será realizada de 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro. A expectativa é de que 2,5 milhões de fiéis participem do evento.

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