Ato contra violência no trânsito termina com ônibus queimado

Moradores da Favela Água Espraiada fizeram manifestações, atearam fogo a um ônibus da Viação Tupi e entraram em confronto com a Polícia Militar, durante o fim de semana, na Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul de São Paulo. O estopim dos conflitos foi a morte do ciclista Kaique Oliveira Welsch, de 14 anos, atropelado por um caminhão na sexta-feira.

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h04

O garoto foi atropelado pouco antes das 15 horas, quando voltava da padaria. De acordo com testemunhas, ele pedalava na contramão e foi atingido por um caminhão na esquina da Roberto Marinho com a Avenida Washington Luís. O caminhoneiro, ainda não identificado, fugiu sem prestar socorro. "Quando me falaram, achei que ele tinha se machucado e não conseguia andar", disse a mãe do garoto, a autônoma Márcia Oliveira da Silva, de 37 anos. "Quando cheguei lá, ele já estava morto."

"Estamos em busca de imagens de câmeras de monitoramento da região para apurar a autoria e a circunstância do atropelamento", informou o delegado do 27.° Distrito Policial (Campo Belo), Emílio Pernambuco. Segundo ele, é possível que câmeras de monitoramento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tenham captado alguma imagem que possa ajudar na investigação.

Márcia disse que constantemente repreendia o filho por causa da bicicleta e pedia a ele que tomasse cuidado ao pedalar em avenidas. "Eu quero ficar com ela (a bicicleta), era a coisa que ele mais amava", disse. Ainda na noite do atropelamento, ciclistas fizeram um protesto e um deles chegou a pendurar uma bicicleta retorcida em um poste próximo do local.

No dia seguinte, ao voltar do enterro do adolescente, os moradores também decidiram promover um protesto, fechando a avenida. Mas acabaram reprimidos com violência pela PM. Eles contam que os policiais militares usaram bombas de efeito moral e spray de pimenta. Já a Polícia Militar informou que dispersou os manifestantes porque "colocavam fogo nos pneus e obstruíam a via, impedindo, até mesmo, o trajeto de ambulâncias". A instituição afirmou ainda que "não houve registros de feridos na intervenção da PM".

Fogo. Anteontem, moradores decidiram colocar fogo em um coletivo da Viação Tupi, em protesto contra a ação policial do dia anterior. Na sequência, tentaram atear fogo em um outro coletivo, mas sem sucesso. A Polícia Civil instaurou inquéritos policiais para apurar a morte de Kaique e o incêndio do coletivo.

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