Ato contra tarifa mira Haddad e acaba em depredação

Ato contra tarifa mira Haddad e acaba em depredação

Protesto seguiu até a casa do prefeito. Black blocs atacaram fotógrafo e picharam Monumento às Bandeiras; 2 foram presos

Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2015 | 23h28

O Movimento Passe Livre (MPL) fez nesta quinta-feira, 29, o sexto ato contra a tarifa de R$ 3,50. Pela primeira vez neste ano, uma manifestação fechou um dos sentidos das Avenidas Paulista e 23 de Maio e teve como foco o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Na dispersão, no Ibirapuera, black blocs atacaram fotógrafos, picharam o Monumento às Bandeiras e depredaram uma agência bancária. A PM prendeu dois ativistas. Um fotógrafo teve o equipamento quebrado.

Havia tensão e se imaginava a possibilidade de confronto desde o início do ato. A concentração ocorreu no Masp, na Avenida Paulista. Com a via em obras, o medo era de confrontos mais graves na área – em protestos anteriores, o local foi vetado pela PM. Ontem, cerca de mil manifestantes, segundo a polícia, tiveram autorização para atravessar a Paulista – o MPL fala em 10 mil.

Antes mesmo de procurar os manifestantes para negociar o trajeto e evitar a área em obras (mais informações nesta página), a Polícia Militar já distribuía tropas pela região da Avenida Paulista. A Praça Alexandre Fleming e os arredores do Parque Trianon estavam cercados desde as 17 horas.

Pela primeira vez, a equipe que ficou encarregada da contenção do protesto foi a "tropa ninja", batalhão especializado em artes marciais – composto por soldados de diversos batalhões. Em resposta, os manifestantes estenderam uma faixa na altura dos olhos dos PMs – o que impedia a visão do centro do grupo.

Enquanto isso, dezenas de black blocs se posicionavam no meio da multidão e na parte de trás da marcha. Segundo a PM, 40 integrantes da tática foram identificados na manifestação e alguns empunhavam "escudos de madeira" na caminhada.

Ainda na concentração, por volta das 17h50, uma manifestação dos professores estaduais passou na frente do Masp e os integrantes do Movimento Passe Livre aderiram ao protesto em solidariedade.

Depois, os 200 professores se juntaram ao ato do MPL. Alguns dos integrantes tinham selos da central sindical Conlutas. O Sindicato dos Metroviários, ligado à mesma central, também estava no protesto.

Uma líder do MPL chegou a pedir vaias para a Polícia Militar, logo antes de ser deflagrada a marcha. "Vamos começar essa assembleia pedindo uma salva de vaias para a Polícia Militar, que veio para cá sem ser convidada", disse a militante do MPL Mayara Vivian. Na saída, às 18h45, houve uma pequena confusão entre o cordão de isolamento feito pela "tropa ninja" e os ativistas. Houve empurra-empurra, mas sem gravidade.

Alvo. A escolha foi pela casa do prefeito Fernando Haddad, no Paraíso, zona sul, como ponto principal do protesto. Essa foi uma tentativa do MPL em manter a atual onda de protestos focada na tarifa zero. O grupo vem sofrendo pressão de movimentos que o apoiam, como o Território Livre e o Juntos, para falar também da falta de água na região metropolitana – o que atingiria o governo do Estado.

Segundo o MPL, a ideia seria concentrar o protesto em "presentear" Haddad com um "Troféu Catraca pelos serviços prestados ao modelo de transporte-mercadoria". A Tropa de Choque posicionou-se no quarteirão do prédio dele.

Quando os manifestantes chegaram ao local, a tensão aumentou. No portão do prédio do prefeito Haddad, os PMs se posicionaram com uma perna à frente da outra, em posição de ataque. Os manifestantes, por sua vez, se sentaram no meio da rua, para um jogral. O grupo gritava: "bateu o aumento forte, tô vendo o Haddad abraçando o Choque". "Ele foi muito deselegante de não descer para receber o prêmio", ironizou Mayara.

Vizinhos de Haddad também se manifestaram contra o aumento da tarifa. "Da forma como está, organizado, com todo mundo se respeitando, acho válida a manifestação. Tem muita coisa do que se reclamar, é um primeiro passo", disse a psicóloga Alessandra Azevedo, de 44 anos.

Às 20h30, os manifestantes decidiram prosseguir a marcha e interditaram a pista sentido zona sul da Avenida 23 de Maio. O protesto seguiu até a Assembleia Legislativa, quando foi oficialmente encerrado. Novo ato foi marcado para terça-feira, em local ainda a ser definido.

Agressão e depredação. Na sequência, um grupo de manifestantes decidiu subir no Monumento às Bandeiras. Aí começou o confusão. Os fotógrafos registravam o momento, quando black blocs vestiram suas máscaras e partiram para cima dos profissionais.

Alguns foram chutados pelo grupo. O fotógrafo Gustavo Gershmann, da Futura Press, foi agredido e teve o equipamento danificado pelos ativistas.

Black blocs picharam o monumento com frases como "A PM mata pobre todo dia" e "Bandeirante é assassino! Morre Burguê$!". E prosseguiram na direção da Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A Polícia Militar reagiu e prendeu duas pessoas, que portavam 23 bolas de gude, uma lata de spray, uma atiradeira, luvas, toucas ninja, máscaras de gás, capacetes e caneleiras.

Na Brigadeiro, uma agência do Itaú, na altura do número 3.595, foi depredada pelos black blocs. Houve correria na direção da Paulista e a mobilização da Tropa de Choque. Manifestantes aproveitaram para realizar um "catracaço" nos ônibus que passavam pela via. Os motoristas dos coletivos optaram por deixar os ativistas entrar pela porta de trás.

Catraçaço. Na chegada à Paulista, houve nova tentativa de "catracaço", desta vez no metrô. Mas o policiamento acabou reforçado nas Estações Brigadeiro e Trianon. Por volta das 23 horas, não havia mais registro de confrontos, mas o cerco policial prosseguia nas estações.

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