Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

Ativistas pró-imigração seguem presos após briga com grupo de direita

Apoiadores fazem vigília em frente ao 78º DP, na região dos Jardins, desde o início da madrugada desta quarta-feira

Bibiana Borba e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2017 | 06h50
Atualizado 03 Maio 2017 | 08h54

SÃO PAULO – Ao menos quatro ativistas de movimentos de defesa de imigrantes e refugiados estão detidos desde o início da madrugada desta quarta-feira, 3, no 78º Distrito Policial, na região dos Jardins, na zona oeste de São Paulo. A delegacia confirmou as detenções e que a ocorrência está em andamento, mas não informou quais são as acusações contra os presos. Eles entraram em conflito com manifestantes do grupo Direita São Paulo que, na noite passada, protestavam na Avenida Paulista contra a lei que favorece a regularização de estrangeiros no Brasil

Em páginas de grupos pró e contra a lei nas redes sociais, representantes se acusam mutuamente pelo início do confronto. Os militantes de direita afirmam que foram alvos de um "atentado terrorista" porque uma bomba caseira teria sido lançada por um imigrante. Em vídeo registrado (veja ao final da reportagem), eles afirmam que há prova de que um dos presos lançou o explosivo. Já os manifestantes contrários alegam que foram agredidos fisicamente e somente reagiram.

A reportagem do Estado aguarda informações da Polícia Civil sobre o caso. Cerca de 50 pessoas solidárias aos presos mantêm vigília em frente ao 78º DP desde em torno da meia-noite, cercadas por uma equipe de policiais civis armados com fuzis, do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). A Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP) informou que um homem de 28 anos e um jovem de 17, também detidos durante a confusão, assinaram termos circunstanciados por desobediência e já foram liberados. Na madrugada, testemunhas relataram que havia sete detidos.

Entre os presos está o imigrante Hasan Zarif, integrante do grupo Palestina Para Tod@s e proprietário do restaurante e bar palestino Al Janiah, localizado no bairro do Bexiga, na região central. O advogado dele, Hugo Albuquerque, e a mãe de um dos jovens presos, um estudante de 18 anos, reclamaram da demora em poderem contatá-los e da falta de informações repassadas pela polícia. 

O protesto contestava a Lei da Migração, já aprovada pelo Senado, que pode facilitar o acolhimento de mais imigrantes no País. Os manifestantes também exaltavam o trabalho da Polícia Militar (PM) e gritavam que “comunistas têm que morrer”. Além do conteúdo xenófobo, o grupo Direita São Paulo compartilha concepções machistas e homofóbicas e defende uma nova intervenção militar no País. 

Mande sua notícia - Quais problemas você enfrenta no trânsito e no caminho para o trabalho? O metrô parou? Viu uma manifestação na cidade? Presenciou um acidente ou algo inusitado? Fotografou ou filmou um fato e quer compartilhar? Os usuários de WhatsApp podem agora usar o aplicativo para colaborar com o Estado. Envie vídeos, fotos ou apenas o seu relato ou ideia de pauta pelo número (11) 9-7069-8639. Suas sugestões serão apuradas por um repórter e podem ajudar as pessoas. Participe.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.