Atentado mata filho de bicheiro no Rio

Alvo de ataque, Rogério Andrade ficou ferido no rosto e passou por cirurgia

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2010 | 00h00

Um atentado contra o bicheiro Rogério Andrade em uma das mais movimentadas avenidas da Barra da Tijuca, bairro de classe média alta na zona oeste do Rio, matou seu filho Diego, de 17 anos. Os dois estavam em um Corolla que explodiu. Andrade ficou ferido. Um carro com seguranças que os seguia foi atingido e pegou fogo, mas os homens conseguiram sair antes de ele explodir e se feriram sem gravidade.

A polícia investiga como o atentado foi cometido. Há a possibilidade de granadas terem sido jogadas dentro do carro onde estavam pai e filho. Também analisa se havia explosivos no Corolla, por causa da magnitude da explosão. O veículo era blindado e, por isso, também é possível que o ataque tenha sido feito com um lança-granadas.

Andrade foi levado para um hospital e não corre risco de morrer. Ele foi atendido no Hospital Barra D"Or apresentando traumas na face e seria, ainda ontem, submetido a cirurgia na região da boca, permanecendo internado sem previsão de alta médica. De acordo com a polícia, ele e o filho haviam saído de uma academia de ginástica.

Atentado. De acordo com a Polícia Militar, a cena dos carros queimados lembrava a de um atentado terrorista. Num raio de 70 metros era possível ver partes de corpos e pedaços do veículo. Vestido com bermuda e camiseta de malha, o corpo do filho do bicheiro ficou do lado de fora do veículo, parcialmente queimado. O ataque ocorreu próximo de uma unidade do Corpo de Bombeiros e eles chegaram rápidamente ao local para apagar o fogo e socorrer as vítimas.

Parentesco. Rogério Andrade é sobrinho do contraventor Castor de Andrade, morto em 1997. Ele foi acusado e julgado pela morte do seu primo Paulinho Andrade, herdeiro e filho de Castor, em 1998 na Barra da Tijuca. Pelo crime, foi condenado a 19 anos de prisão. Além disso, também recebeu, da Justiça Federal, pena de 18 anos de prisão por crime de formação de quadrilha, corrupção ativa e contrabando por seu envolvimento com esquema de caça-níqueis.

Andrade protagoniza no Rio uma guerra com Fernando de Miranda Iggnácio, que começou depois da morte de Castor, em 1997. Pouco antes, o bicheiro dividiu seus negócios entre os dois. Deixou para o sobrinho o comando das bancas do bicho e, para Iggnácio, os jogos de caça-níqueis. No entanto, o bicho perdeu força e, consequentemente, lucro no Estado. Começou então a disputa entre o comando da máfia dos caça-níqueis.

Em maio de 2008, o nome de Rogério foi ligado ao do ex-chefe da Polícia Civil do Rio e deputado estadual cassado Álvaro Lins. Segundo denúncia do Ministério Público, Lins não reprimiria a atividade de exploração de caça-níqueis pelo grupo de Rogério. Lins nega as acusações.

CRONOLOGIA

1997

Morre o contraventor Castor de Andrade, tio de Rogério

1998

Rogério é acusado de mandar matar Paulo de Andrade, herdeiro e filho de Castor

2002

Rogério é condenado a 19 anos e 10 meses pela morte de Paulo. Posteriormente, a Justiça anula a sentença

2006

Rogério é preso pela Polícia Federal com seu contador, Roland Hollanda Cavalcanti. É acusado de pertencer a um esquema de caça-níqueis

2009

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concede habeas corpus a Rogério. O julgamento pelo crime de 1998 é marcado por duas vezes, mas os advogados não aparecem

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