Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Até super-herói e concurso de miss denunciam problemas nas calçadas de SP

Coletivo realiza concurso de calçada mais bonita da cidade durante programação da Semana do Caminhar, que começa na segunda-feira, 7

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 09h33

SÃO PAULO - Não se assuste se encontrar um mascarado “escalando” uma rua de São Paulo. Com a identidade secreta, um sociólogo de 25 anos que prefere não se identificar interpreta o Super-Ando, o defensor dos pedestres por uma cidade “inclusiva, acessível e caminhável”.

Dentre suas ações estão fazer rapel em passeios com degraus e promover competições de “salto de cratera” em buracos de calçadas. Em outra atividade, chegou a preparar um macarrão instantâneo enquanto aguardava um semáforo de pedestres abrir para a travessia. 

“Todos os dias, é preciso ser um pouco herói para andar nessa cidade inacessível”, comenta sobre o personagem. “Procuro sempre empoderar o pedestre. Mostrar os direitos que nós temos. Sempre digo: ‘Avante, caminhante!”

O sociólogo está sempre com o uniforme de herói na mochila, o que inclui máscara, capa com estampa de faixa de pedestres, chapéu e um tênis verde e amarelo. Como todo super-herói, ele revela ansiar pelo momento em que pedestres não precisarão ter um defensor, embora isso pareça um futuro distante. “Por trás da máscara, represento os caminhantes de todas as cidades.”

Bairro mais bonito. Também com uma abordagem lúdica, o SampaPé realiza o concurso Miss Calçada SP, que convoca a população a eleger o passeio mais bonito da cidade. “No dia a dia, acabamos reparando mais nos problemas, porque são a maioria. Queremos provocar um olhar e uma reflexão em busca de boas calçadas para provar que podem existir, que não são uma coisa idealista ou exclusiva de países ricos”, explica a diretora do coletivo, Leticia Sabino.

“A proposta é que o pedestre repare na árvore que traz sombra para a rua, no piso que não escorrega, na inclinação que força o joelho – esses detalhes não passam despercebidos”, diz Leticia. Segundo ela, com o levantamento será possível cobrar melhorias tanto dos proprietários quanto do poder público, que é responsável pela fiscalização das calçadas. A votação está aberta na página do SampaPé no Facebook.

Com proposta semelhante, o coletivo Corrida Amiga realizou em abril o projeto Calçada Cilada, no qual a população poderia apontar irregularidades. Em um mês, reuniu mais de 1,6 mil “fiscalizações”, das quais 537 ocorreram em São Paulo. Dentre os problemas apontados, 69% eram de calçada irregular, seguidos de falta de rampa de acessibilidade (12,2%) e inexistência de passeio (5,5%).

Mais conteúdo sobre:
Calçadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.