Até caminho da balada é por vias alternativas

Motoristas dizem evitar vias como Avenida dos Bandeirantes para chegar à Faria Lima

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2011 | 03h01

Os garotos Alan Ferreira, de 17 anos, e Matheus Caetano, de 13, fazem malabares no cruzamento das Avenidas Juscelino Kubitschek e Brigadeiro Faria Lima - a via campeã em lentidão à noite, segundo levantamento da empresa MapLink. Mas só trabalham à noite. O motivo? Faturam três vezes mais do que durante o dia. "Dá pra tirar uns R$ 50. De dia, só dá uns R$ 15", conta Ferreira, que volta para casa após as 4 horas, de ônibus.

Mas, se a fila de carros é um fator de lucro para os meninos, quem dirige por ali conta que às vezes é preciso buscar rotas alternativas para não ficar preso no trânsito. O vendedor Felipe Carrilo, de 22 anos, por exemplo, diz que evita vias como a Avenida dos Bandeirantes. "Por lá demoraria mais de uma hora para chegar", afirma. "Mas não é só ali. Para chegar à Vila Madalena, à (Rua) Augusta, também é complicado", relata.

Outro problema são as constantes obras e interdições que ocorrem à noite. "Já teve vez de a gente perder a balada por causa dessas obras", reclama o gerente comercial Flávio Morales, morador do Campo Belo, na zona sul, que também costuma frequentar a Faria Lima.

Causas. O perfil da Faria Lima mudou. Além dos espigões de escritórios, a via tem bares e casas noturnas, o que atrai mais carros de jovens à noite. "O uso a essa hora não é comercial, mas de lazer mesmo", diz o engenheiro civil Creso de Franco Peixoto, professor da Fundação Educacional Inaciana (FEI).

Na análise do engenheiro de trânsito Flamínio Fichmann, o trânsito noturno é uma extensão do volume de tráfego e dos congestionamentos do horário de pico. "Houve um incremento da frota nas ruas e mudança de hábitos. As pessoas entravam e saíam mais cedo do trabalho. Mas a administração pública não está respondendo na mesma velocidade," diz. "Se a velocidade reduz, é porque a capacidade de receber carros já foi atingida", diz Franco Peixoto. Especialistas também citam a falta de marronzinhos à noite e o fato de o metrô e da maior parte da frota de ônibus não circular no período como causas da lentidão.

Engenharia. A CET tem cinco formas de atuar à noite: monitoramento de trânsito, fiscalização comum, fiscalização de shows e outros eventos e acompanhamento do transporte de cargas superdimensionadas e de obras viárias.

Para a CET, o trânsito noturno se concentra ao redor de faculdades e casas noturnas. Mas, em nota, e empresa cita também "locais com maiores índices de acidentes" como as áreas mais preocupantes. Informa ainda que à noite reprograma 5.536 semáforos, diminuindo o tempo em que eles ficam no vermelho. Outros 500 semáforos são desligados após as 22 horas.

Em uma medição de congestionamento feita na Avenida Santo Amaro na madrugada, entre meia-noite e meia e 4h30, a CET diz que obteve velocidade média da via de 40 km/h. Ainda é menos do que a Marginal do Tietê no pico da tarde: 45 km/h. / BRUNO RIBEIRO E FELIPE FRAZÃO

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