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Até a USP terá faixa exclusiva de ônibus

CAIO DO VALLE, DIEGO ZANCHETTA - O Estado de S.Paulo

03 Maio 2014 | 02h 04

Trânsito no horário de rush faz aluno gastar até 20 minutos para percorrer 500 metros

Para melhorar o deslocamento dos ônibus nos horários de pico, a Prefeitura da Cidade Universitária, no Butantã, vai instalar faixas exclusivas para os coletivos no interior do câmpus, na zona oeste da capital paulista. Os frequentes congestionamentos, principalmente à noite, têm levado alunos e funcionários a reivindicar a instalação do dispositivo, que já vem sendo adotado nas ruas de São Paulo, inclusive no entorno do principal câmpus da USP.

É o caso da Avenida Afrânio Peixoto, que desemboca na Portaria 1 (P1), uma das mais movimentadas da Cidade Universitária. Desde o ano passado, uma faixa exclusiva à direita reduziu em alguns minutos o tempo de viagem por transporte coletivo nessa via na hora do rush do fim da tarde. O problema, no entanto, não foi solucionado no sentido oposto, para quem está saindo da universidade rumo à P1.

Isso porque a Prefeitura de São Paulo não tem competência para executar ações no interior do câmpus, uma propriedade autônoma do governo do Estado. A ausência de uma faixa só para coletivos faz com que os passageiros esperem mais nos pontos e no interior dos ônibus, que já passam superlotados.

"Infelizmente, a prioridade dada pela USP para o transporte público sempre foi menor", diz a professora Marli Souza, de 33 anos, que faz mestrado na universidade. "Basta ver que, originalmente, era para ter uma estação do Metrô aqui dentro, na região da Praça do Relógio. Mas, no fim, ela foi construída fora e temos de pegar um ônibus para poder chegar lá."

Para se deslocar de ônibus em um trecho de cerca de 500 metros da Avenida da Universidade rumo ao P1, por volta das 19h, Marli leva até 20 minutos dentro do ônibus. "É um trânsito infernal e quem se prejudica somos nós, que priorizamos o coletivo." No início da noite da última terça-feira, o Estado encontrou vários ônibus parados entre os automóveis no engarrafamento desse trecho da via.

O professor Renato Cymbalista, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), apoia a criação de faixas exclusivas para ônibus na Cidade Universitária. "A USP não seguiu a política da Prefeitura de priorização das faixas de ônibus em vias do câmpus onde é possível fazê-las, ou seja, naquelas onde há três ou mais faixas de rolamento. Na USP inteira podem instalar essas faixas de ônibus."

Por meio de nota, a Prefeitura da Cidade Universitária informou que "já deu início a estudos para implementação de faixas exclusivas para os ônibus" e que "o primeiro alvo destes estudos é a região da Avenida da Universidade e Praça Professor Reynaldo Porchat", uma rotatória em frente ao Portão 1.

Poda de árvores. Segundo o órgão, "para implementação da faixa exclusiva, estão sendo realizados projetos preliminares para intervenções relacionadas à porção da pista hoje ocupada por carros estacionados e ao alargamento da mesma nas proximidades" da P1. Ou seja, para a expansão da faixa, é possível que algumas árvores precisem ser podadas. Nesse sentido, a USP informou que está fazendo "estudos para adequação à legislação ambiental do Município".

O estudante de Biologia Bunni Costa, de 22 anos, acredita que uma medida mais eficiente para resolver a questão dos congestionamentos no câmpus seria a adoção de um tipo de rodízio, proibindo carros com finais de placa distintos de circularem em seu interior em determinados dias. "Tem muito carro usando a USP para desviar do trânsito de fora e isso aumenta o congestionamento aqui dentro. A lentidão vai até umas 19h30." Já para o técnico contábil Adriano Alves Mendes, de 34 anos, que dirige todo dia na USP, a faixa vai piorar o trânsito. "Desse jeito, vai dobrar o tamanho do congestionamento."

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