As marcas dos jesuítas em São Paulo

Ordem que ganhou evidência com a eleição do papa Francisco participou da fundação da cidade e nela mantém instituições até hoje

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

24 Março 2013 | 02h02

A mais antiga instituição europeia a chegar à área que se tornaria São Paulo, a Companhia de Jesus está em evidência mundial desde a eleição, no dia 13, do primeiro papa latino-americano. Francisco, o argentino Jorge Mario Bergoglio, é o primeiro jesuíta a se tornar líder da Igreja.

Em São Paulo, a maior ordem da Igreja Católica, com cerca de 18 mil integrantes no mundo, tem 68 religiosos. Em 1553, o primeiro grupo de jesuítas chegava ao Planalto de Piratininga. Eram cerca de 20. A subida do litoral era muito difícil. Para serem vencidos alguns trechos, os religiosos tinham de engatinhar, conforme conta Hernâni Donato em seu livro Pateo do Collegio: Coração de São Paulo (Edições Loyola, 280 páginas, 2008). Padre José de Anchieta escreveu que aquele caminho era "o pior que há no mundo", conforme relata Roberto Pompeu de Toledo, em A Capital da Solidão (Editora Objetiva, 558 páginas, 2003).

Para a história, a missa celebrada em 25 de janeiro de 1554, dia de São Paulo, marca a fundação da cidade. Ali no pátio já havia, uma rudimentar capela, uma escola e uma cabana que servia de abrigo aos jesuítas, entre eles Anchieta e padre Manoel da Nóbrega, o primeiro religioso da ordem a chegar ao Brasil. Mais de 459 anos mais tarde, depois de idas e vindas causadas por duas expulsões, a Companhia de Jesus segue presente na cidade. A ordem administra dois colégios, uma faculdade, um museu, uma biblioteca, uma editora de livros e duas igrejas - a do Pátio do Colégio, no centro, e a Paróquia São Luís Gonzaga, na Avenida Paulista -, além de algumas obras sociais. Historicamente, os jesuítas também têm ligação com outras duas igrejas paulistanas, a Paróquia de São Gonçalo, no centro, e a capela de São Miguel Arcanjo, na zona leste.

Vocação. "Interessante notar que os jesuítas aqui chegaram e fundaram um colégio. E hoje continuam presentes com instituições de ensino na cidade", comenta o sacerdote jesuíta Eduardo Henriques, diretor geral do colégio São Luís. Ali, na Avenida Paulista, estudam 2,5 mil alunos. No São Francisco Xavier, no Ipiranga, há outros 1,2 mil. Ainda há, na Liberdade, um câmpus da Fundação Educacional Inaciana (FEI), com curso superior.

Mas a melhor maneira para entender a presença jesuíta em São Paulo é conhecer o museu que funciona no Pátio do Colégio (ingressos a R$ 6). Ali destaca-se uma maquete da São Paulo na época da fundação. Aos fundos, é possível conhecer a parede mais antiga de São Paulo. "Data de 1585 e foi o que sobrou de uma ampliação do colégio", explica a historiadora Carla Galdeano, coordenadora do museu. Na cripta, pode-se ver os alicerces de uma das tantas reconstruções do local, ocorrida em 1680. "É um de nossos maiores tesouros", comenta Carla.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.