Aricanduva e Interlagos lideram irregularidades

São os que somam mais problemas, de acordo com a Prefeitura; na lista há até córrego aterrado e matas destruídas

Adriana Ferraz e Artur Rodrigues,

25 Julho 2012 | 22h12

Os shoppings Aricanduva e Interlagos são os que somam o maior número de irregularidades entre os 26 estabelecimentos considerados fora da lei na capital, segundo a Prefeitura. Eles têm em comum número insuficiente de vagas no estacionamento, obras em desacordo com a planta original e documentação incompleta. Megacomplexos, têm juntos 945 lojas, sem contar os anexos, ocupados por supermercados, redes de material de construção, de móveis, de carros e até de hotéis.

Considerado o maior da América Latina, o Shopping Aricanduva, na zona leste, ainda é suspeito de provocar danos ambientais no entorno durante as obras de construção do empreendimento - segundo o Ministério Público Estadual (MPE), a nascente de um córrego chegou a ser aterrada no processo e matas nativas, destruídas. A construtora Savoy, responsável pelo empreendimento, responde pelos problemas na Justiça.

"Mesmo com fiscalizações, o Shopping Aricanduva usou de vários subterfúgios jurídicos para ir ampliando seu espaço", criticou o secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo.

O Shopping Interlagos, na zona sul, enfrenta procedimento administrativo na Prefeitura por ter aberto uma rua dentro do terreno que abriga o centro comercial. A via dá acesso a um hotel e ao Interlar - especializado em móveis e decoração. O espaço pode ser fechado em até um mês, caso não resolva os problemas.

Ações. As novas irregularidades apontadas pelo próprio Município nos shoppings da cidade podem provocar, além do fechamento dos centros comerciais, a apresentação de ações civis públicas contra a gestão Gilberto Kassab (PSD) por improbidade administrativa e prevaricação. Em ambos os casos, o motivo é a não fiscalização dos empreendimentos.

"Há três anos, a Prefeitura prometeu executar uma checagem completa em todos os shoppings da capital. A ação, que envolveria diversos departamentos, como a Secretaria da Habitação e a Companhia de Engenharia de Tráfego, não teve o resultado divulgado até agora. Não se sabe nem ao menos se ocorreu", diz o promotor de Justiça José Carlos de Freitas.

Para ele, a omissão do poder público pode render ações na área criminal. "Se esses shoppings tivessem sido fiscalizados, certamente já teriam sido multados e estariam providenciando as soluções."

A secretaria afirmou nesta quarta-feira, 25, que o estudo foi feito a pedido da Câmara Municipal e, por isso, foi entregue aos vereadores. Mas ressaltou que prestará os esclarecimentos solicitados pela Promotoria.

Procurados, os shoppings Aricanduva e Interlagos não comentaram os problemas.

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