'Aquilo não foi uma decisão judicial, foi um cambalacho'

O advogado Heraclides Batalha de Camargo Filho, de 69 anos, dono do terreno na zona leste, classificou de "cambalacho" e "acerto" a interferência política que provocou a suspensão da decisão judicial pela reintegração de posse. Por meio de nota, o Tribunal de Justiça rebateu dizendo que "as decisões dos juízes não se pautam por acertos e que a suspensão foi tomada em face da concreta informação da Prefeitura de que desapropriaria o terreno, pensando no bem social e no interesse público".

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

28 Março 2013 | 02h01

Como adquiriu o terreno?

Nos anos 1970, fiz um inventário dos proprietários desse terreno e, depois, comprei o restante de um dos adquirentes dos direitos. Foi registrado no 7.º Cartório de Registro de Imóveis. Nunca foi vendido um metro nem construído nada. Só cedi para a Prefeitura 1.560 metros para alargar a Avenida Bento Guelfi.

O senhor vendeu lotes?

Não sei nem o que pensar disso. Isso aí, se alguém quiser, vai ter de provar. A forma de provar é pedir os recibos, quebra de meu sigilo bancário, algo que já facilito a partir de agora. Não tenho atestado de imbecilidade, jamais venderia um terreno daquele valor por uma importância dessa (R$ 3 mil o lote). Quem acredita é mais medíocre do que quem propalou essa história.

Como avalia a decisão da

Prefeitura?

Para mim, não faz diferença. Estou esperando receber o dinheiro da desapropriação, que é o primeiro e único passo que a Prefeitura tem de dar para tomar posse.

E a decisão judicial, que suspendeu a reintegração?

Não foi uma decisão, foi um cambalacho. Uma coisa que ninguém imaginava que pudesse existir, mas que ficou provado que, de fato, existe. É o que acontece quando se absolve um cara que não deveria ser absolvido, quando alguém ganha uma ação que jamais poderia ganhar. São os "acertos", algo que ninguém conseguia provar até agora. A primeira prova concreta foi essa.

Tem alguma semelhança entre o caso atual e o Pinheirinho de São José dos Campos?

Não tem nenhuma relação. Lá, eles estavam há 16 anos (na verdade, 8), tempo mais do que plausível para que se sentissem proprietários. No meu, não. Estavam havia oito meses. Entrei com ação cinco dias depois da invasão. Fui recebido com quatro tiros, quando fui ver o que aconteceu. No fórum, na segunda-feira, quando saí da sala do juiz, 300 pessoas estavam me esperando na rua, gritando, xingando. Um bando de desclassificados, de bárbaros.

Como avalia a atuação da PM? Não houve truculência. Uma senhora disse que perdeu o filho por causa do gás, mas pode ter sido por outro motivo. Vi um morador que jogou uma criança na frente da Tropa de Choque, que sempre avança. Ele colocou essa criança em um risco muito grande. / W.C.

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