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Após trânsito bater recorde, CET tem greve suspensa

Adriana Ferraz e Caio do Valle - O Estado de S. Paulo

05 Junho 2014 | 22h 42

Foram 209 km de congestionamento de manhã; marronzinhos querem 12% de aumento e marcam nova assembleia para o dia 10

Atualizada às 23h12

SÃO PAULO - A greve dos metroviários e dos marronzinhos, somada à liberação do rodízio, dificultou ainda mais o já caótico trânsito de São Paulo. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a capital registrou 209 km de congestionamento às 9h30, recorde para a manhã em 2014 e o terceiro pior índice da história na faixa matinal, desde que as medições começaram, nos anos 1980. A média para o horário fica entre 74 e 105 km. Com a manutenção da greve dos funcionários do Metrô, a situação deve se repetir nesta sexta.

Com mais carros nas ruas e sem a orientação dos marronzinhos - que suspenderam a greve no fim da noite desta quinta, depois de 75% do efetivo não ter trabalhado -, quem tentou se deslocar de carro ou de ônibus sofreu. A via mais congestionada durante a manhã foi a Marginal do Tietê, seguida pela Marginal do Pinheiros e pela Radial Leste. Durante o dia, a situação se normalizou até que, às 19h, o índice de lentidão alcançou 206 km - 16,3% acima da média do horário. Depois disso, as vias ficaram mais vazias.

De carro, Arlindo Alves tentou levar sua mulher ao Hospital São Luís, no Tatuapé, zona leste, mas ficou preso na Radial. O casal saiu de casa, em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, às 7h30, mas às 10h estava parado. A faixa reversível, montada todas as manhãs para desafogar o tráfego no sentido centro, não foi ativada.

Perto dali, Juliana Guimarães e Juliana Pereira, ambas de 23 anos, pararam na Estação Bresser-Mooca, na Linha 3-Vermelha do Metrô, para descansar de uma longa jornada. Partiram a pé, da Vila Matilde, em um trajeto de três horas de duração ao longo da Radial. Reclamaram que os ônibus estavam lentos e lotados. Às 10h, descansaram no Tatuapé e depois seguiram. 

As amigas trabalham em empresas da Avenida Santo Amaro, na zona sul. Uma é recepcionista e a outra, assistente de financeiro. A recepcionista teve o aval do chefe e voltará para casa depois do repouso. “Na outra greve, dos motoristas, foi a mesma coisa. Andei a pé por três horas e meia”, contou. Já a assistente não teve a mesma sorte: o patrão queria que ela chegasse até as 14h.

No corredor formado pela Avenida Jabaquara e pelas Ruas Domingos de Morais e Vergueiro, na zona sul, carros e ônibus trafegavam em fila indiana até a região da Avenida Paulista. Uma viagem de carro entre as Estações Jabaquara e Santa Cruz da Linha 1-Azul, por exemplo, levava cerca de duas horas. Normalmente, mesmo na hora do rush, o trajeto de 7 km costuma durar até 40 minutos. 

Fôlego. Os agentes da CET decidiram, por volta das 21h30, suspender a paralisação iniciada 26 horas antes. Os trabalhadores reivindicam reajuste de 12,9% no salário e 20% no vale-alimentação - a Prefeitura oferece 8%. A decisão foi tomada após a CET obter, na Justiça do Trabalho, liminar que determinava a operação de ao menos 70% dos serviços, sob pena de multa no valor de R$ 100 mil.

De acordo com o sindicato, a suspensão é temporária. Nova assembleia está marcada para o dia 10. Ontem de manhã, o prefeito Fernando Haddad (PT) havia dito que a questão deveria ser resolvida logo, apesar de nenhuma proposta nova ter sido feita./COLABORARAM LUCIANO BOTTINI FILHO, LUIZ FERNANDO TOLEDO e RAFAEL ITALIANI

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