Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo
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Após ser solto, suspeito de morte de garoto continuará sendo investigado

Polícia pedirá lista de ligações para determinar localização de homem no momento da morte do menino Arthur. Ele foi atingido por uma bala perdida durante festa de réveillon

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2018 | 22h53

SÃO PAULO  - Após a Justiça negar a prisão do suspeito de matar o menino Arthur Aparecido Bencid Silva, de 5 anos, a Polícia Civil de São Paulo vai pedir autorização para levantar as ligações telefônicas realizadas pelo homem no período entre meia-noite e 2h30 do dia 1.º. O objetivo dos investigadores é identificar a Estação de Rádio Patrulha (ERB) usada pelo celular do suspeito e, assim, determinar em que local ele estava na hora do crime.

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"Isso pode colocar ele próximo à casa do Arthur ou em um bairro em que ele nega que esteve", afirmou o delegado Antônio Sucupira Neto, titular do 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi), responsável pelas investigações.

Único suspeito identificado até o momento, W. da C. F., de 24 anos, chegou a ser conduzido para o 89.º DP na noite de terça-feira, 2, após a Polícia Civil receber informações de que ele teria ligado para conhecidos, admitindo que fez disparos para o alto e demonstrando preocupação com as repercussões do caso. Ele foi liberado de madrugada, após a Justiça negar o pedido de prisão temporária por falta de provas.

"No que se refere à suposta autoria do evento morte do menor Arthur, é certo que pende similaridade tanto de local dos fatos quanto de projétil compatível com a arma utilizada pelo representado para realizar o disparo, no entanto, a prisão cautelar não se mostra justificada, ao menos até que se realize o confronto balístico da arma apreendida e o projétil retirado da vítima", escreveu o juiz Paulo de Abreu Lorenzino, na decisão.

O laudo necroscópico apontou que Arthur foi vítima de uma bala de calibre 38 que perfurou a parte superior do seu crânio. A bala ficou alojada na região da nuca. A principal hipótese investigada pela Polícia Civil é de que se trata de um disparo feito para cima durante as comemorações do réveillon.

No dia da virada, o suspeito chegou a ser preso em flagrante pela Polícia Militar, por porte ilegal de arma, justamente um revólver calibre 38. O caso foi registrado no 101.º Distrito Policial (Jardim das Imbuias), mas o rapaz foi liberado pela Justiça na audiência de custódia, após ter a fiança arbitrada em R$ 500. A Polícia aguarda resultado do exame balístico para constatar se o projétil que matou Arthur partiu da arma do suspeito.

Suspeito. Na delegacia, o homem relatou que estava bebendo cerveja em casa com três amigos, na região de Parelheiros, zona sul, a cerca de 30 quilômetros da festa de Arthur. Durante a queima de fogos, ele sacou o revólver da cintura e efetuou seis disparos para cima. Um transeunte teria feito a denúncia à PM, segundo depoimento do suspeito, que foi localizado e detido em flagrante por porte ilegal de arma, cerca de duas horas depois.

A Polícia Civil, entretanto, desconfia que a versão relatada na delegacia pode não ser verdadeira e que o suspeito poderia estar circulando pela região da Vila Sônia, onde Arthur foi baleado. Os investigadores também sabem que o suspeito é proprietário de um Chevrolet Vectra, de cor azul. Na delegacia, o homem não soube informar a placa do veículo. Já identificados, os três amigos do suspeito devem prestar depoimentos nesta quinta-feira, 4.

Apesar de ser considerado primário por não ter nenhuma condenação contra ele, o suspeito já teria entrado antes no radar da Polícia Civil. Segundo investigadores, ele chegou a ser incluído em um boletim de ocorrência, após policiais encontrarem com ele uma nota fiscal de produtos que faziam parte de uma carga roubada. Na época, a vítima não o reconheceu como um dos assaltantes e o suspeito foi liberado.

O suspeito também andava com um crachá de funcionário da AES Eletropaulo, segundo a Polícia Civil. Na delegacia, contudo, ele teria admitido que estava desempregado há cerca de dois meses. 

Prédio vizinho. Nesta quarta-feira, 3, também surgiu informação de que o disparo poderia ter sido efetuado de um prédio vizinho, onde moram dois policiais civis. Intimada a depor, a síndica compareceu na delegacia.

Ela relatou que os agentes comemoraram o réveillon fora de casa e, por isso, não estavam em seus apartamentos. Também disse que não houve registro de brigas ou discussões no edifício. "Neste momento, não estamos na direção de que o tiro tenha partido deste condomínio", afirmou Sucupira Neto.

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